Um caminho sem volta. Ainda bem!

Foi com alegria que vi as primeiras fotos de divulgação de Tungstênio, filme de Heitor Dhalia. Pra quem não sabe, o filme é uma adaptação do quadrinho homônimo de Marcelo Quintanilha, niteroiense premiadíssimo aqui e na Europa. Li em algum lugar que Aos Cuidados de Rafaela, outra hq nacional, também vai ganhar a telona. Laços, com a turma da Mônica de Maurício de Sousa, é mais um que vai virar live action. O meu Doutrinador também já está em produção (um filme e uma série de 8 episódios para canal pago). Ao contrário dos demais setores da economia, derretendo pela crise dos governos Dilma/Temer, o audiovisual brasileiro vai muito bem, obrigado. O PIB do setor vem crescendo 10% ao ano, graças a vários fatores: a lei do audiovisual, a regulamentação do setor, novas linhas de crédito e o ambiente digital, que explodiu o número de plataformas de exibição, consequentemente aumentando muito a procura por: conteúdo, essa palavrinha mágica.

Essa procura acabou naturalmente aportando no inesgotável caldeirão de conteúdo que são os quadrinhos! Como diz CEO da Rede Snak de Canais, Vitor Knijnik, conteúdo é a nova publicidade. Com o crescimento mundial do VOD (Video On Demand), a disputa da audiência desse mercado global passa pelo investimento em material exclusivo (dá-lhe, Netflix!) e pra isso canais e produtoras precisam de: conteúdo! Veículos, produtoras, plataformas, todos querem ser provedores de soluções de brand content. Não é o futuro, é o agora! Ainda segundo Knijnik, que esteve semana passada no evento Rio Content Market (meca do setor audiovisual), vivemos um ótimo período para quem é produtor de conteúdo. “Se isso vai se refletir em produtos de qualidade, já é outro debate. Mas estamos caminhando para ter o essencial, sem o qual não há nada: o mercado.”

Fazer quadrinhos no Brasil sempre foi uma missão hercúlea, pra não dizer ingrata mesmo. Mas a decisão visionária de players pesados como DownTown Filmes, Paris Filmes e Globo Filmes, investindo em produções baseadas em quadrinhos nacionais, abre não uma janela, mas uma porteira para o quadrinho brasileiro, reconhecido no exterior pela seu espírito inventivo. Quando eu e meu sócio Gabriel Wainer decidimos criar a Guará Entretenimento, a certeza sempre foi uma só: o talento, a criatividade e a vocação do brasileiro como contador de histórias é a garantia de muito vigor e brilho neste novo caminho para os artistas do país.