53 dias em Los Angeles

Luciano Lagares
Sep 4, 2018 · 5 min read

Dois caras executando um sonho, ter seus roteiros/ideias/concepts produzidos em Hollywood. O final da nossa história, não sabemos. Mas vamos desenrolando o percurso por aqui.

Quer embarcar com a gente?

Altos e alguns baixos

É difícil não falar um pouco mais de Sacramento, já que passei quatro meses lá. Não saí tanto quanto eu gostaria, afinal dólar batendo quatro reais faz a gente segurar o bolso com as unhas. No início cheguei a ter uma ideia que pareceu oportuna, fazer vídeos mostrando como alguém, tímido como eu, passaria do inglês de turista requentado por aulas, para um inglês de rua, de conversa rápida e sem regras claras. No começou eu era o cara dos “would-you-please-say-that-again? Would-you-repeat-please?”, ou “sorry-I-didn’t-get-it” (isso quando muito melhorado) e outras. O engraçado (agora, né) é que eles repetiam a deles e eu repetia minha. Haja paciência. Fico feliz em dizer que tenho usado menos essas perguntinhas que parecem golpe de esgrima, pergunta lá, pergunto aqui e alguém é atingido. Bom, é uma ideia solta que fica aí pra quem quiser tentar.

Murilo, representando a área de international business da Openthedoor, dividiu a casa comigo por quatro meses. No começo eu dependia bastante dele, porque seu inglês é bem avançado e ele tem bastante experiência nessa área do “se vira e dá-se um jeito” em terras estrangeiras. Mas eu senti que minhas asas não cresceriam se eu não tentasse voar sozinho, então passei a sair para me enturmar. Foi mais simples do que imaginei.

Como eu disse, talvez no post anterior, o pessoal de Sacramento é muito amigável.

Outra coisa que impressiona lá, nunca vi tamanho respeito no trânsito e principalmente com os pedestres em Sacramento. Alguém pode até citar outro lugar, mas pra minha experiência, foi algo impressionante. Vi motoristas, que esperavam uma brecha pra cruzar uma rua sem sinal dar ré para liberar a faixa de pedestre e ainda pedir desculpas por ter avançado, quando eu nem tinha tocado o asfalto.

Tive também primeiras impressões de forasteiro que me perturbaram. Uma delas foi com o sinal de pedestre. Eu saía lá pelas 6:30h da manhã para ir numa academia ou para caminhar. Chegando num cruzamento, você aperta um botão e uma voz eletrônica diz num tom mandatório, “wait!”. Eu pensava comigo, tá bom. Não tinha nem um carro passando, mas o tom era tão ameaçador que eu ficava lá, até que o sinal do poste permitisse. Quando a mãozinha vermelha some do painel e surge o ícone da pessoinha em luz branca caminhando, soa um bipe intermitente. Chega a parecer um pio de ave. Agora, imagina diversos cruzamentos com vários destes sinais sonoros ecoando perto da principal avenida da cidade, você sozinho e com uma bagagem de filmes de Hitchcock na memória (hum, eu devia ter gravado isso com o celular. Enfim…). Falando no mestre eu não poderia deixar de mencionar outro, vamos dizer fenômeno, que pude testemunhar. A casa que estávamos tem uma área de trânsito de pedestres com muitas árvores altas. Cada uma é moradia de um casal de esquilos. À tarde surgia uma revoada de corvos, dezenas e dezenas forrando o céu e emitindo um grito rouco que lembrava aquelas chamadas de sala de aula. Um por vez respondia e todos estavam presentes. Todos eles pousavam nas árvores que arrodeavam a casa onde estávamos, com nossos olhos arregalados e ouvidos hiper-estimulados. De arrepiar.

Enfim, foi uma excelente experiência morar em Sacramento e também conhecer algumas cidades vizinhas.

Como eu mencionei no post anterior, abarrotamos o carro do Mark e partimos sob o sol escaldante, sem uma nuvem sequer no céu. Não que o clima mude muito disso nos outros dias.

Aluguei um quarto com duas camas em Korea Town. As fotos pareciam boas e os reviews estavam balanceados, muita gente aprovava, muita gente, condenava. 50% de acerto.

O segundo grupo é o correto, tá mais para condenação mesmo. A casa é modestamente nojenta (falando nisso tenho que reportar ao Airbnb). Já vi lugares ruins, mas esta casa é ultrajante. Tanto que o Mark quer limpar, ele já me disse várias vezes a mesma coisa. Procurei outra, mas… falando miudinho… é o que podemos pagar no momento. Minha renda vem do Brasil (1 Dólar = 4 Reais, lembra?) e o Mark tem feito, como ele diz ubering. Estamos nos virando como dá. Em Sacramento eu cozinhava, não só pra economizar, mas porque gosto. É uma das coisas que mais me dá prazer. Nesta casa fica impossível em razão da (ugh) sujeira. Korea Town parece um bairro interessante, os restaurantes são convidativos e a cultura local coreana é amigável. O bairro vizinho, no entanto, é o oposto. Há pilhas de lixo entulhando as ruas, motoristas mal-educados, uma barulheira persistente e (aí é quando mais bate a saudade de Sacramento) nenhuma árvore para sombrear o caminho. A casa, o lugar que estamos hospedados, fica exatamente na parte que aglutina os dois bairros. Se a gente vai mais para a direita, uma sensação de perigo, daquelas que sentimos em São Paulo de vez em quanto. Se vamos para a esquerda, parece que entramos numa programação de tv oriental com textos indecifráveis e pessoas caminhando tranquilamente. Vem na cabeça aquelas musiquinhas eletrônicas de games ou animações infantis.

Los Angeles tem mesmo uma riqueza cultural absurda. Quem sabe um dia não surja um Brazilian Town, com muita comida brasileira. Faz falta.

Para acelerar nosso progresso, passamos a frequentar as cafeterias da cidade. Não só pela cafeína, mas porque sempre tem pessoas interessante para conversar. Achamos algumas que revelaram haver gente mais interessante ainda em outros bairros como Santa Monica, Culver City, Studio City, Silver Lake. Segundo eles, estas pessoas mais interessantes ainda podem nos conectar com pessoas hiperinteressantes. Onde isso vai chegar afinal? A Morgan Freeman, eu suponho.

O dia termina com o roteiro revisado, mais alguns textos escritos (este, por sinal) e alguns bons novos contatos no LinkedIN de pessoas da área.

Fico feliz de poder escrever em português e estar com um pouco do Brasil na mente.

É isso aí, se quiserem mandar alguma dica, sugestão ou apenas dizer olá, deixa a mensagem aí.

Obrigado por nos acompanhar.

Luciano Lagares

Written by

Entrepreneur in advertising, artist, director for animation, writer, illustrator, graphic designer and content creator.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade