O ano da evolução pessoal

2017 foi irado e tenho muito muito muito o que agradecer. Depois de um 2016 bizarro, realmente me surpreendi muito com tudo que aconteceu.

Teve livro lançado com editora e até sessão de autógrafos na Feira do livro, teve essa newsletter sempre crescendo nas estatísticas, teve a Shoot The Shit crescendo como empresa, não teve câncer. Enfim, muita alegria com tudo que a vida colocou no meu colo nos últimos 12 meses. E ainda é capaz de eu estar esquecendo de algo.

Mas mais do que celebrar acontecimentos, estou feliz afu porque evoluí como pessoa. Ou melhor, fiz coisas que me proporcionaram evoluir como pessoa. Trabalhei para ficar melhor nessa grande brincadeira chamada vida.
 
Esse assunto, evolução pessoal, vem ocupando minha cabeça faz uns meses. Ele até fez parte da newsletter do mês passado, com a história dos lobos que habitam nossa mente. E como esse assunto não saiu da minha cabeça mesmo depois da news (geralmente depois que escrevo sobre algo o assunto vai pro fundo da fila de pensamentos), decidi trazer de novo esse tópico aqui, aprofundando com outros dois conteúdos que foram culpados por fazer esse tema se infiltrar na minha mente.

Jogos Finitos e Infinitos

O primeiro desses conteúdos que me fez pensar sobre evolução pessoal é o livro Jogos Finitos e Infinitos. Esse é um livro que li que fala que existem dois tipos de jogos. O jogo finito é um jogo com regras e jogadores definidos cujo objetivo é vencer o jogo. O jogo infinito é um jogo sem regras e jogadores definidos, e o objetivo dele é continuar jogando. Jogo finito é uma partida de futebol, jogo infinito é um relacionamento, ou a própria vida. Abaixo duas imagens que achei na internet que ajudam a explicar esse teto.

Jogos finitos.
Jogos infinitos.

O problema é que existem pessoas que tratam jogos infinitos como finitos. Por exemplo, quem enxerga o seu emprego/trabalho como um jogo onde alguém tem que vencer, o que acaba a levar pessoas a competir com as outras dentro de uma empresa. E a moral do livro é que a vida é um jogo infinito. Devemos vivê-la para continuar jogando e não para vencer os outros, e a melhor forma de fazer isso não é tentando criar jogos finitos onde a relação deve ser infinita. Não é competindo e tentando derrubar os outros. É trabalhando para sermos pessoas melhores e assim também ajudar quem está do nosso lado. Pois, para que eu continue jogando, a vida na Terra tem que continuar existindo, a vida em sociedade tem que continuar existindo, as pessoas devem continuar se relacionando de forma harmônica. Logo, temos que evoluir como pessoas. Fez sentido? Resumi muuuuito o livro, então para saber mais pode perguntar pra mim ou buscar no Google (ou ler o livro também kkk).

BoJack Horseman

O segundo conteúdo é uma série do Netflix chamada BoJack Horseman. Pra quem nunca viu esse desenho, ele conta a história de um ator de TV que fez muito sucesso nos anos 90 numa série de comédia, fez muita fama e grana e hoje vive apenas sugando as pessoas, achando que é uma boa pessoa quando na verdade é um otário. Mais uma vez resumindo muito, ele busca um final, uma resposta pra vida. Busca uma boa ação que o redimirá de tudo de ruim que já fez. Só que isso não existe, e a moral do desenho é mostrar que não existe uma única saída para “vencer” a vida. A moral é fazer pequenas coisas certas que a vida pede, todos os dias, e assim ir evoluindo num processo de longo prazo. Ninguém vira uma boa pessoa por uma única ação.

Pra quem quer ir a fundo na moral por trás do desenho, recomendo esse vídeo.

Somado a esse livro e a essa série, tem a parábola dos lobos da news passada. Me alimentando disso tudo, vem a reflexão e a percepção de que tenho colocado isso em prática mesmo que inconscientemente, mesmo sem ter parado e preparado um “plano de ação”.
 
Nos últimos 10 meses, entrei pra terapia, comecei a meditar e parei com a multitarefa. Li muito sobre relacionamentos pessoais, autoconhecimento, política, saúde e como o cérebro funciona. Estudei astrologia, algo que queria fazer fazia tempo, e parei de comer carne, algo que achei que jamais conseguiria fazer. Comecei a andar de bike e voltei a correr. Desapeguei do Facebook e do Instagram, tirei notificações do Whatsapp e me afastei do Netflix, tirei mais tempo para mim e com isso acabei lendo mais livros do que em qualquer outro ano.
 
Nenhuma dessas ações se compara a participar de um ironman né, mas também não significa que foram atitudes fáceis de serem realizadas. São todas escolhas que individualmente parecem bem exequíveis, mas que no longo prazo exigem muito da pessoa.

Ler um livro ou ver uma série? Dormir ou estudar? Comprar comida congelada ou ir na feira? Bike ou Uber? Grana pra festa ou pra terapia? Fazer a feira sábado de manhã requer que eu não faça uma festa tão forte na sexta. Ir de bike pra terapia requer que eu planeje melhor o meu dia e aceite ir mais cedo pra não chegar tão suado lá. Largar de mão o Facebook requer que eu desapegue do que os outros estão fazendo e saiba que vou ter menos informações sobre tudo.

Decidi em janeiro não ver nenhuma série nova, por exemplo. E eu curto muito séries, então não foi fácil tomar essa decisão. Muita gente falando de séries novas e enquanto isso eu estava colocando o tênis para correr ou indo dormir mais cedo para dormir melhor.

A primeira vez que essa decisão é tomada é foda. A segunda também. A terceira, a quarta, a quinta, todas difíceis. A sexta, um pouquiiiiinho mais fácil. E com o tempo, colocar você na frente do resto vai se tornando tangível, ou melhor, a única saída possível. Não é sobre cagar para o resto do mundo. É sobre entender que quanto mais evoluímos e cuidamos da gente, mais fácil fica viver a vida. E se a gente evolui, quem está a nossa volta sai ganhando também.

Hoje está muito mais fácil seguir um caminho de evolução pessoal ao invés de viver a vida a Deus dará, seguindo a maré flutuando num barco. E da facilidade vem a manutenção e os resultados.
 
Daí a alegria pelo que foi meu 2017. Mesmo assim, sinto que não estou preparado para 2018 kkkk. Vem aí eleições e uma das disputas eleitorais mais tensas da história do país, mas esse é um tema para uma outra newsletter (sim, vai ter política aqui em breve). Resta a mim estudar, ler, entender e buscar evoluir diariamente na matéria Vida para tentar passar por esse período de uma forma serena, coerente e sem brigar com nenhum amigo por causa de um político.

Sinto que esse texto precisava ser maior para eu aprofundar e explicar melhor todos os pontos que trouxe, mas também não quero ocupar muito o final/início de ano de vocês (já ocupando com um mega textão e 15 links). Consegui explicar tudo que eu queria? Bem, isso vocês não têm como saber, pois só eu sei de tudo que eu queria explicar. Acho que a pergunta certa deveria ser: fez sentido?

Desejo para mim e para vocês que em 2018 a gente se conecte mais com a gente, evolua como pessoa e leve, através das nossas ações, um pouquinho de consciência para a sociedade. E que façamos isso diariamente, mesmo que de pouquinho em pouquinho. Usando uma frase que é dita em um episódio do BoJack e que é meu lema de vida do momento (ano que vem pode ser outro kkk): “It’s get easier. But you gotta to do it every day”.


Esse texto foi enviado para as pessoas que seguem a minha newsletter com mais 15 links interessantes que encontrei na internet. Quer receber ela também?Assina aí :)

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