A era do ateísmo prático e a bestialização do homem

O Grande Masturbador, do Salvador Dalí. Aqui Dalí retrata o pensamento moderno atual.

Na sua obra Dios y su obra, Antonio Royo Marín, O.P., mostra que existem dois tipos essenciais de ateus: o teórico e o prático [esse trecho traduzi AQUI]. O ateu teórico é o que descrê em Deus por razões argumentativas e ele pode ser positivo e negativo, sendo o positivo aquele que não apenas descrê como ainda quer convencer os outros da sua convicção errônea enquanto que o ateu teórico-negativo descrê em Deus argumentativamente, mas fica recolhido em si na sua descrença. O ateu prático é aquele que vive como se Deus não existisse, mesmo não sendo um ateu teórico. Ou seja, ele pode crer em Deus como um criador, um ordenador, ou numa “força superior”, mas não segue nenhuma conduta que demonstre qualquer tipo de temor. O que se vê nos dias de hoje, como bem observou Marín, é que hoje vivemos em um mundo de ateus práticos. Inclusive com muitos batizados e que se dizem cristãos. Vivemos a era do ateísmo prático.

O que mais se vê são católicos que são excomungados e nem sabem. Se dizem católicos e nem vão à Santa Missa aos domingos, tampouco têm vida de oração, fazem sexo casual, se masturbam, usam drogas, dentre outras abominações. Trocam o momento que deveriam ter com o nosso Senhor por prazeres mundanos. Por prazeres mundanos e temporais abrem mão da vida eterna.

Não convém aos ateus práticos se entregarem por amor a Deus. Isso limita o que eles querem. É “seja feita a nossa vontade assim na Terra como no Céu”. Obviamente não sou perfeito, muito longe disso. Se eu for salvo, será por pura misericórdia de Deus e não pelos meus méritos, que são parcos como árvores num deserto. Porém, zelo pelo comedimento.

O que fez esse mundo ser como está é sabido pelos mais atentos e esclarecidos, mas para explicar demanda um trabalho muito árduo. Mário Ferreira dos Santos explicou bem como tal pensamento se infiltra em diversas áreas no seu livro A Invasão Vertical dos Bárbaros, mas não como começou. Podemos resumir no entanto que a crise do pensamento começou com o nominalismo dentro da própria Igreja, que popularizou depois de Ockham. Ockham passou negar a realidade do que é universal em detrimento com a definição. Tudo passou a ser meros nomes. O nominalismo foi a ressurreição dos sofistas.

Partindo disso, surgiu a Revolta Protestante, o ceticismo cartesiano, a negação do conhecimento do transcendente em Kant culminando no materialismo ateu. A Igreja perdeu a influência e junto o homem perdeu a sua dignidade ontológica que foi definido por Deus quando disse que o homem é a sua imagem e semelhança. Se não há dignidade ontológica, tudo é permitido. Desde drag queens ensinando blasfêmias para crianças até eutanásias sem o consentimento dos pacientes. Esse é o retrato do mundo atual.

É mister expor que isso é culpa de muitos dos “católicos ateus-práticos” citados acima. Muitos negam a sacralidade do matrimônio e fazem sexo fora do matrimônio ou até mesmo sem absolutamente nenhum compromisso. Ora, sexo está ligado à fertilidade e a fertilidade à vida. Sexo inegavelmente dá prazer e foi criado por Deus, mas tudo o que é prazeroso, bom e criado por Deus deve ter moderação. Comer também é prazeroso, bom e Deus nos forneceu os alimentos, mas exige moderação. Se comer exige moderação, quanto mais um prática que dá origem à uma forma de vida ou mais. Quem nega a sacralidade do matrimônio e pratica este ato bestial que é a fornicação, nega também a fé católica inteira. Afinal, quem nega algo tão óbvio, como não poderia negar os outros dogmas mais tradicionais que variam da primazia petrina até a Assunção da Nossa Senhora?

Ora, quem nega a fé, reduz a importância de Deus ou O julga como alguém que tolera qualquer bestialidade. Se Deus tolera sexo fora do matrimônio, pode tolerar a homossexualidade e até quem sabe o aborto e pedofilia. Afinal, conforme a importância de Deus na formação moral do homem diminui, a dignidade da criação também diminui a ponto de equipararmos a animais ou em casos extremos até mesmo abaixo deles, já que existem ativistas que defendem o aborto e defendem gastos de recursos públicos para proteger ovos de tartarugas.

Os ateus militantes, i.e., ateus teóricos-positivos, são nocivos, mas eles são fáceis de identificar e repelir. Os ditos católicos que na verdade são esses tais ateus práticos denunciados por Marín são muito piores. Eles podem levar outros católicos menos instruídos ao abandono da fé visto que negar uma verdade de fé é negar toda a fé católica. Católico deve dar exemplo para os seus irmãos ao invés de fazer as suas próprias vontades. Pois bem diz as Sagradas Escrituras: «Quem se descuida dos seus, e principalmente dos de sua própria família, é um renegado, pior que um infiel» (I Timóteo V, 8). Pois o ateísmo prático esperamos de quem se diz ateu e não de quem se diz católico.

Se você se diz católico, mas nega alguma verdade da Igreja contribuindo assim para toda essa bestialização do homem, posso dizer que você está fora da Santa Igreja há muito tempo. Se declare um apóstata que ficará menos feio porque pelo menos assim não seguirá a vida sendo enganado por si mesmo. Ainda que esteja morto.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Luciano Takaki’s story.