Why I’m a Lesbian (Not Queer)

Tradução feita por Agnes Aguiar

Bit:
Lésbica é uma palavra difícil. Ela tem muitas sílabas. É uma palavra cheia de zunidos agressivos e impactos. 
A maioria das mulheres atraídas pelo mesmo sexo da minha idade preferem a palavra gay/queer. Tem uma sílaba, é vago o suficiente para incluir todas as pequenas dúvidas e detalhes que não cabem na palavra “gay”, e mais importante, é positivo em relação ao sexo. E quem não quer ser positivo em relação ao sexo?

Gay/queer é uma palavra que significa “sim”. Sim! Eu posso encontrar a pessoa certa um dia. Sim! Eu estou aberta a coisas que não experimentei ainda. Sim! Eu consideraria fazer isso, no lugar certo com a pessoa certa. Isso é positividade em relação ao sexo.

“Lésbica” é uma palavra que significa “Sim, mas apenas se”. e para os 50% que não explicam o “apenas se”, significa “não”; Não. Nem ao menos uma vez. Não. A pessoa certa não está lá fora. Não. Pare de perguntar. Não, a frase completa, a sílaba explosiva que é tão difícil para as mulheres dizerem. 
Eu acho que é por isso que a palavra lésbica está fora de uso. 
As mulheres têm mais medo da palavra “não” do que de qualquer outra palavra na língua Inglesa. Mulheres devem ser educadas e cuidadoras e tomar responsabilidade pelo sentimento de outras pessoas e nunca, nunca mesmo dizer “não”. Mulheres que dizem não são “vadias”.

Pior, mulheres que dizem não são negativas em relação ao sexo. Certo?

Não. Se você apoia positividade em relação ao sexo, você sabe que é sobre poder, e “não” é a coisa mais poderosa que uma mulher pode dizer. Eu amo dizer “sim”, mas se eu não tenho o poder de dizer não, meu sim é apenas um barulho vazio e desconectado.

Em alguns momentos meu não vai desapontar alguém. Está tudo bem. Poder é nunca ter que rir e dizer “eu não sei” enquanto busca desesperadamente por uma saída. Poder é a habilidade de reconhecer a vergonha e decepção de alguém e entender que aquilo não pertence a você.

Eu lutei duro pelo meu poder. Eu tenho orgulho dele. Eu abraço cada sílaba ruidosa, difícil e horrorosa do que eu sou, e eu me sinto honrada de ser contada com a geração de mulheres que vieram antes e descobriram o poder do “não” de cada uma delas, no tempo em que mulheres podiam ser presas ou apanhar ou serem expulsas de casa por dizerem “não”. 
Acreditem em mim quando eu digo que conheço minha própria mente. Eu não sou gay/queer. Eu sou uma lésbica — e não, você não pode assistir.

Ashley:
Tendo visitado a seção de comentários de um artigo em um site popular para “mulheres queer/gays” recentemente, eu acho seguro dizer que certas pessoas sentem-se excluídas ou tristes quando lésbicas decidem criar qualquer coisa para elas, ou quando falamos sobre nossas experiências específicas como mulheres que são atraídas apenas por outras mulheres e que não têm interesse em estar com homens.

Lésbicas, homens gays, bissexuais, pessoas trans, e até certos tipos de heterossexuais são entendidas como “queer/simpatizante”. É o termo favorito porque remove boa parte das distinções entre os membros de cada grupo e como tal, pessoas na comunidade gay/queer que têm privilégios sobre outros são poupados de ter que ao menos reconhecê-los.

Falar sobre as batalhas que você enfrenta enquanto lésbica é extremamente rejeitado em espaços LGBT/queer. “Você está sendo má e dividindo o grupo”. Apontar o fato de que homens gays podem ter atitudes misóginas em relação às mulheres na comunidade é ruim e pode te render o rótulo de sapatão-odiadora-de-homens. Apontar o fato de que uma pessoa bissexual que está em um relacionamento com alguém do sexo oposto tem acesso a certos benefícios que lésbicas e homens gays não têm é ainda pior. E insistir que lésbicas têm o direito a autonomia corporal, que nosso nível de “progressividade” não pode ser medida por se vamos ou não potencialmente fazer sexo com membros de certos grupos também pode ser considerado blasfêmia.

Os níveis combinados de misoginia, apagamento e lesbofobia que estão presentes nos espaços queer/LGBT tendem a fazer com que algumas lésbicas se sintam desconfortáveis usando a palavra correta para descrevê-las. Aquela que não vai fazer com que elas ganhem uma palestra sobre como ser mais “iluminada”. 
Mas não há nada de errado com a palavra lésbica. Diferente de gay/queer, não é uma gíria reclamada por alguns e forçada ao resto de nós. Não há dúvida no nome. É nítido. É conciso. Está aqui para ficar.

Texto original: http://lesbiansovereverything.com/?p=361