Sobre leitura e literatura

Quando pego um novo livro para ler, sinto-me mal. Muito mal. Penso em tudo o que eu deveria estudar, nas apostilas de concursos públicos, na minha idade e no que falta para que eu “vença na vida”, penso que poderia usar meu tempo livre para trabalhar mais também. Parece que atraso minha vida com essa mania de ler um livro atrás do outro (na verdade, livros atrás de livros, já que leio sempre pelo menos 2 ao mesmo tempo). Enfim, sinto-me um perdedor.

Por outro lado, não entendo como a maioria das pessoas não têm o hábito da leitura. E entre os que leem, a maioria só lê best-sellers, literatura barata e/ou manjada. Todo mundo que lê conhece Bukowski, Dostoiévski e tal. Todo mundo conhece os poetas e ótimos escritores brasileiros. Não são desses que falo aqui. Esses são elementares, mandatórios. Não é à toa que alguns são chamados de literatura “clássica”. A literatura tem urgência e a vida é curta. É preciso conhecer mais, sempre mais e mais. Nunca é o bastante. Nesses últimos dois anos, por exemplo, conheci dois autores que mudaram minha vida: Thomas Pynchon e David Foster Wallace. Depois fiquei boquiaberto com Jonathan Franzen. Fico pensando na quantidade de autores que ainda podem ter enorme influência em mim, nos mais diversos aspectos.

Posso não ter o emprego dos sonhos e nem uma vida estabilizada. Ainda. Talvez isso nunca aconteça. Mas não troco os livros que li e que lerei e o tempo que gastei e gastarei com eles por nada. Assim como a música e o cinema (esse anda meio abandonado em minha vida nos últimos anos), a literatura exerce papel central em meu ser. Sempre exercerá. Alguns podem dizer que tudo isso é puro escapismo. Mas só precisa escapar quem se sente preso. Preso pelas pressões sociais, pelas obrigações, pela busca desenfreada pelo sucesso, por viver uma vida que não quer. Alguns escapam disso. Outros não.

Que se dane.

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