Sobre Memórias e Lembranças ou Anotação em um caderno, circa 2012
Memórias e lembranças às vezes ferram comigo. Porque nem sempre lembro de coisas boas. Agora, por exemplo, lembro de pessoas que não gosto e de pessoas que gosto e suas atitudes. Quando isso ocorre coloco tudo em uma balança imaginária. Sem exceções, o lado negativo sempre pesa mais. Talvez porque a carga simbólica imputada àquilo que não gostamos e queremos esquecer seja maior do que imaginamos ser. Ao pensar em esquecer uma pessoa, consequentemente pensamos na pessoa. Por isso sempre digo que não esqueço nada, nem ninguém.
Há duas pessoas, que chamarei de sujeitos X e Y, que tento esquecer, pois marcaram minha vida de um modo muito ruim. Ao fazer uma análise livre de crenças e, principalmente, de sentimentos, tenho o seguinte: Diretamente, X e Y jamais me fizeram mal algum. Eu não gosto de X e Y porque, devido a algumas atitudes de um outro sujeito, que chamarei de A, de quem gosto muito, X e Y apareceram na história.
Quando, pela vontade de A, X e Y passaram a fazer parte de sua vida, não gostei disso. Portanto, passei a não gostar de X e Y, a quem antes eu era indiferente. Na verdade, meu problema não é com X ou Y, mas com A e suas atitudes que me feriram de um modo que jamais esquecerei. Assim, propus um auto questionamento: porque ainda gosto tanto de A? Sinceramente, não sei.
Não acredito em perdão. Acho algo extremamente necessário para a convivência, mas é apenas discurso. Sendo minha vida uma eterna contingência, sou levado e me deixo ir enquanto finjo que acredito em ideais que não significam mais nada para mim há tempos.
Como uma estrela que, morta há milhares de anos, ainda nos ilumina com sua luz através do espaço, acredito em coisas mortas em mim há tempos. Mas a luz da estrela, apesar de morta, é verdadeira. Assim me sinto. Um eco daquilo que não mais acredito. Uma luz que ainda brilha, mas que está, na verdade, morta.