IRA

Dos mais revoltantes, este pecado é o maior dos males. Ele nos atira no rol das criaturas perversas; sem limites; monstruosas.

Fizemos da nossa vida uma correria, é verdade! Mas, ainda há tempo de pensarmos antes de tomarmos uma decisão que poderá nos transformar em monstros. Há tantos pais que não se dão conta do quão agressivos se tornaram para seus filhos, e que são vistos não como alguém que acalenta, que protege, mas o contrário, alguém que espanca, que rejeita. E esta realidade tem aumentado. Triste estatística, a de pais que espancam seus filhos! E estes filhos, com certeza aprenderão assim; que se corrige alguém, seja quem for, desta forma. Em todas as passagens da Bíblia, Jesus freava a IRA. E para que Ele cessasse a raiva deles, Jesus não usou de nenhum outro artifício que não o amor. Vejamos então que sem amor as desavenças se multiplicam com uma velocidade tal qual a um vírus que nos mata.

Se pensarmos no outro como nosso irmão, a quem amamos verdadeiramente, não sentiremos raiva. Precisamos acreditar nisto: no amor incondicional a toda a criatura. Amemos ao próximo com igual intensidade a que amamos a nós mesmos. Isto basta!

Dias destes fiquei pensando no que apodrece, efetivamente, a carne. E cheguei a brilhante conclusão de que é o espírito corrompido por todo tipo de pecado que nos mata, nos apodrece. A ira, por exemplo, nos deixa com uma expressão tão distante de nós mesmos que se nos olhássemos no espelho, não nos reconheceríamos. Fosse apenas isto! Ela nos deixa atônitos, pálidos, trêmulos… nos mata! Quando cometemos qualquer que seja dos pecados capitais, estamos fazendo mal não apenas ao outro, mas, também, e principalmente, a nós mesmos. Todas as doenças advém das nossas fraquezas, da nossa falta de amor.

Quando enxergamos aquela pessoa que chega, com olhos de amor, e a recebemos desarmados, essa pessoa, mesmo que seus pensamentos fossem outros, ela virá, agora, de braços abertos, de coração puro. Por que, o que é amar? Amar é dar-se ao outro, é preocupar-se com o outro, é privar-se, muitas vezes, de alguma coisa pelo outro. Quando você se doa a esta pessoa, seja quem for, você está amando-a.

Quando lemos ou ouvimos que precisamos imitar Jesus, precisamos amar como Jesus amou, viver como Ele viveu, sentimo-nos pequenos demais, pecadores demais, achamo-nos incapazes de viver como Jesus; não temos capacidade de realizar milagres!

Como não? Nós realizamos, se quisermos, milagres todos os dias em nossas vidas.

Jesus, apenas amou a todos de forma igual e para que Ele realizasse seus milagres, mostrou a todos que o essencial era amar. Assim, também podemos realizar nossos milagres. Pensemos no irmão que resgatamos do desamor em que vivia; do invejoso que mostramos que vale a pena investir em sua vida para que seja admirada por muitos; do soberbo que aprendeu que não se sabe tudo, não se tem tudo sozinho, enfim, é uma luta que podemos vencer todos os dias…são os milagres da vida!

Engraçado como a raiva consome também a quem a destilamos. Eu tinha uns sete anos quando a professora pediu que coloríssemos o vestido de uma menina de vermelho e o cabelo de marrom. Havia mais três crianças sentadas numa mesma mesinha que eu e usávamos os lápis comunitariamente. As outras crianças não terminavam e eu fiquei um tanto quanto ansiosa. Peguei o lápis roxo e pintei a menina toda. Pudera eu tê-la deixado em branco! A professora puxou meu braço, rasgou a folha, me xingou … Eu fiquei imóvel; estática. No final, me passou outra folha para que eu a colorisse do seu jeito. O resultado disto foi que não me saiu da memória esta cena terrível e talvez eu tivesse um talento para a arte, o que não foi consumado.

Se esta pessoa me pedisse com carinho que fizesse outra, talvez eu não tivesse esta história pra contar, pois o amor não nos aprisiona, ele nos preenche e nos faz melhores, apenas!

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