“Homem-Aranha: De volta ao lar” e a nova roupa para um velho conhecido

Como a Marvel tentou dar uma nova “cara” para um herói tão fixado na mente de todos.

“Vai ter a história de como ele se transformou de novo, né?”, uma amiga me perguntou pouco antes de vermos o filme, ao que respondi seguramente que não. E essa é uma das poucas coisas que eu tinha certeza sobre o que estava prestes a assistir. De resto, os trailers pareciam legais, o Tom Holland soava como uma boa escolha, e o hype estava controlado. Não quis ver comentários sobre a pré-estreia, e evitei ao máximo saber qualquer coisa antes de ver tudo na tela grande. Além do mais, sempre que o Spider aparece é uma experiência diferente. Seria esse um drama como o de Tobey, ou uma ação descomedida como o de Garfield? Eu queria pagar para ver.

O filme

Felizmente, não tivemos que ver a fatídica transformação. Mesmo porquê, todo mundo já sabe o que aconteceu: uma aranha radioativa o picou, o tio Ben morreu, e que “com grandes poderes vem grandes responsabilidades”. Mas agora, como fazer algo “novo”? É isso que nada menos que 6 roteiristas bateram cabeça para desenvolver. E o resultado é um Peter Parker no ensino médio, combatendo roubos de bicicletas, e com uma personalidade e problemas juvenis.

Eu não estou preparada para ver um Homem-Aranha tão jovem”, me disseram no cinema. A preocupação é válida, e por vários motivos. Esse Peter adolescente passa a segurança que o herói precisa? Ter um Spider teen é justificável para além do apelo comercial? São questionamentos automáticos para qualquer fã, mas todos somem quando o filme começa.

A verdade é uma só: esse Homem Aranha funciona, e vai muito além disso. O carisma do amigo da vizinhança nunca esteve tão presente no cinema, e em De volta ao lar esse lado mais “caseiro” do cabeça de teia é muito bem construído. É a identificação com o Peter e seu jeito de ser é muito rápida, e em pouco tempo de tela, já fica impossível não se envolver com seu jeito brincalhão e (no melhor sentido da palavra) jovial.

Tom Holland encarna bem essa nova proposta, e está visivelmente confortável no papel. É difícil desassociar completamente as outras duas interpretações (Tobey como o primeiro, e Garfield como uma boa releitura), mas Holland tem o carisma, um bom roteiro, e o talento necessários para ser o melhor Homem-Aranha possível para esse universo cinematográfico.

Para ser justo, o filme tem seus problemas. Em especial (assim como outros filmes da Marvel), carece de uma veia dramática convincente. O Homem-Aranha, apesar de sempre bem-humorado, é um herói com dramas muito intensos, tristes, e que ajudam a definir boa parte do caráter do personagem nos quadrinhos. Em De volta ao lar, os poucos momentos dramáticos variam entre bons e exageradamente clichês, e se no futuro pretendem trazer para as telas algum impacto (como a morte da Gwen em Espetacular) vai ser necessário melhorar.

Afinal…

O novo filme do Homem Aranha é bom, e mostra uma face promissora para o personagem no MCU. Não é nenhuma obra-prima do cinema, e tem seus defeitos. Mas é uma boa pedida para quem pretende se distrair, e ver algo descontraído e divertido. Para os que vão como fãs do herói: vão sem medo, mas não esperem o melhor filme de todos os tempos. Ainda é necessário desenvolver mais o personagem. Mas, por enquanto, estou plenamente satisfeito, e aguardo ansioso as próximas aparições.

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