coisas q’eu queria lhe mostrar
(mãs sigo sendo meu próprio lar)
(( hj vi um cachorrinho tão pequenininho que possivelmente cabia nas palmas de minhas mãos: não quis lhe contar ))
quando você se foi
você deixou seus vestígios ao meu redor,
seu cheiro ficou no cobertor
e os fios minúsculos do teu cabelo
viveram feito caracóis
entre os funguinhos do meu armário
chorei 4 dias e 6 noites por você
praguejei 7 dias e 5 noites pra entender
sorri 3 dias e 2 noites pela gente
tudo o que um dia
você tocou em mim
ja não existe mais
sobrou só nosso retrato rasgado
as memorabilia que acumulei aqui dentro
y que hoje vivem no fundo daquela gaveta
cuja chave (graças as deusas) eu perdi
tudo o que um dia
você já foi pra mim
já não existe mais
sobrou só o apertar dos seus olhos
nas minhas memórias sexuais
y o cheiro rançoso que cê deixou pra trás
tudo o que um dia
era seu e esteve aqui
por ora não existe mais
por ora já me deixaram em paz
sobrou só
a porra
do seu cheiro
desgastado pelas minhas lágrimas
transitando dentre aromas
contaminado por outros suores
( no meu travesseiro )
de tudo que um dia a gente já foi
sobrou só meu revirar de olhos
a decepção no semblante alheio
a memória feito chocolate
que me atiça a tpm
me deixa nauseada
y que sigo sem ao menos digerir
sobrou só suas pernas bambas ao me ver
o encostar desajustado de nossas faces.
o estranhamento de uma terra que um dia
fora tão estranhamente fértil
tão estranhamente íntima
e que hoje disse adeus
até mesmo pra saudade
