Criança do universo

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Basta fechar os olhos para ver o mundo através de uma lupa. Ele perde suas formas convencionais, tudo se aproxima e se expande ao mesmo tempo. Nesse momento, quem sou eu senão parte ímpar da natureza?

Por vezes, é devido o olhar do outro que nos moldamos. Somos crianças em busca de aceitação. De olhos cerrados, não enxergo o mundo nem ele me enxerga. Somos apenas um. Sem julgamentos, sem timidez, a curiosidade é minha força vital.

À medida que caminho, novos universos surgem. Sem forma, construo o mundo através de meu toque. Sou uma artista e pinto minha tela com as cores dos sons que me surpreendem ao longo do caminho. Sinto as rugas das folhagens e percebo a beleza das marcas do tempo vivido. Piso firme, ainda que em passos incertos, sinto os grãos de areia sob mim e logo flutuo pelo espaço vazio ao meu redor, que se materializa na ponta de meus dedos. O calor do sol me ampara, já não estou mais sozinha.

Descubro o bambu, estrutura viva quase metálica, e reconheço que é possível ser forte mesmo que se pareça frágil. O vento sussurra em meu ouvido, diz que “tenho tanto direito de estar aqui como as árvores e as estrelas”, tal qual a música que já ouvi repetidas vezes. Logo, percebi, não preciso que me digam o porquê de meu existir. Fecho os olhos e consigo sentir meu lugar no mundo.


Texto produzido na Oficina de Escrita Criativa da Fundação Cultural do Estado do Pará-Casa da Linguagem, na qual os oficineiros participaram de uma dinâmica no Museu Paraense Emílio Goeldi em que tinham que exercitar a percepção de outros sentidos além da visão, encontrando a poética através de outras sensações.