Dúvida Hiperbólica

Se eu existo? Certos dias sou matéria, ocupo espaço, ando, falo, rio, choro, esbarro pelos cantos e nas pessoas que passam, toco e desejo ser tocada.

Certos outros dias, sou fluida como o tempo, vagueio pelo mundo, não falo, mas rio, choro. Não esbarro pelos cantos nem nas pessoas que passam, mas tropeço em minhas memórias e projeções. Não posso ser tocada, mas toco.

O silêncio é sensível à existência ou à falta dela.

Enquanto devaneio, sozinha em meu quarto, nesse momento não sou vista nem ouvida. Simplesmente não existo para o mundo. O espelho diz que existo, mas será mesmo? Quanto mais julgo e questiono, mais confusa fico. O fato de eu existir em pensamento, torna-me real completamente? Difícil dizer. Afinal, minha consciência nada prova.

Por ora, permito-me a espontaneidade de existir e não e existir ao mesmo tempo. Assim, nos momentos de vazio e incerteza, permito-me ser na escrita. E através dela existir. Completamente.