Exposição “Coisa Pública”

O projeto tem como premissa curatorial a reflexão sobre as relações que constituem a esfera pública e pretende abordar os aspectos políticos e culturais que caracterizam a experiência coletiva.

A rua — campo politicamente orientado, território de poder e criação, é onde propomos um percurso de experiências que nos permitam vivenciar e ressignificar a coisa pública.

Como alguém que, ao se deparar com um beco sem saída, sobe no muro para ver o que existe do outro lado, a galeria é entendida como portal — passamos por ele para alcançar o que há lá fora. E, na superação das paredes erguidas, repensamos e provocamos a atuação humana na cidade por meio de processos artísticos.

Assim, espaço expositivo e espaço urbano se expandem e se fundem, permitindo explorar a cartografia da esfera pública para a (des)construção do lugar de discussão e diálogo entre partes interessadas.

Na malha urbana retorcida e ruidosa multiplicam-se os não-lugares, os silêncios. Para a coisa acontecer, é necessário lançar mão da comunicação, sugerir encontros e pensar a prática artística como zona de produção simbólica e como plataforma para investigar e tensionar as tramas do tecido social.

Coisa Pública demonstra, então, a implicação político-social e a força disruptiva de projetos artísticos que convocam à aproximação e ao entrosamento, repercutindo transitoriedade e reorganização espacial. Uma mostra construída para revelar pontos de contato inauditos e mapear novos modos de transitar e transpor, derivar e desviar.

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Ações de encerramento

A convergência entre espaço expositivo e espaço urbano materializou-se exatamente no encerramento do projeto, que aconteceu no sábado, dia 1º de outubro (não por acaso, véspera das eleições municipais no Rio de Janeiro).

As ruas e imediações do Largo São Francisco de Paula e SAARA (centro do Rio), foram ocupadas por artistas, ativistas, agentes culturais e coletivos que realizaram performances, percursos, ações e intervenções urbanas. Toda essa movimentação no entorno da galeria foi pensada para sugerir encontros, levantar questionamentos e refletir a prática artística.

Entre os participantes desta ação estavam artistas convidados pela curadoria como Anna Costa e Silva, Anitta Boa Vida, Coletivo Cotidiano & Mobilidade, Coletivo Ocupeacidade, Grupo Poro e OPAVIVARÁ!; e também artistas selecionados via convocatória pública, repercutindo aproximação, entrosamento e comunicação — preceitos indissociáveis quando discutimos a coisa pública. Assim, o projeto se encerrou cumprindo o desejo inicial de demonstrar a implicação político-social e a força disruptiva de projetos artísticos que se propõem a repensar e provocar a atuação humana na cidade e na sociedade.

Foto: Ludimilla Fonseca
Print: Jornal O Globo