Ludmila Cavalcanti
Jul 27, 2017 · 1 min read

1830
Dindo neguinho desceu o morro
Capoeira ativo com mato na boca
Forjados em alva os dentes e roupas
Escondia Joana perto do poço

Dindo joga um lençol sobre a terra
E esconde o que de bom a terra lhe dá
Esconde do homem, da farsa e da fera
O prazer que somente a Joana lhe dá

Joana, Joana, onde foste parar?
Olha que descanso o machado me deu
Joana, Joana, onde foste parar?
Sai desse chão que o teu fogo sou eu

Dindo canta e não entende
Como é possível aceitar
O que brota de uma mente demente
P'ra impedir sua Joana de brotar

Dindo tanto não entendeu
Que decidiu não acatar
Plantou, colheu e fumou
Subiu o morro a cantar:

"Capoeira mata um!
Capoeira mata um!
Capoeira mata um!"
Mas Joana prende um

Escoltado por cavalos
Condenado por ralés
Dindo se viu isolado
Três dias de sol nos pés

Foi solto mas saltou
Um capoeira morreu
A Joana o libertou
E a Joana o prendeu

28/11/12 - 04:48