1830
Dindo neguinho desceu o morro
Capoeira ativo com mato na boca
Forjados em alva os dentes e roupas
Escondia Joana perto do poço
Dindo joga um lençol sobre a terra
E esconde o que de bom a terra lhe dá
Esconde do homem, da farsa e da fera
O prazer que somente a Joana lhe dá
Joana, Joana, onde foste parar?
Olha que descanso o machado me deu
Joana, Joana, onde foste parar?
Sai desse chão que o teu fogo sou eu
Dindo canta e não entende
Como é possível aceitar
O que brota de uma mente demente
P'ra impedir sua Joana de brotar
Dindo tanto não entendeu
Que decidiu não acatar
Plantou, colheu e fumou
Subiu o morro a cantar:
"Capoeira mata um!
Capoeira mata um!
Capoeira mata um!"
Mas Joana prende um
Escoltado por cavalos
Condenado por ralés
Dindo se viu isolado
Três dias de sol nos pés
Foi solto mas saltou
Um capoeira morreu
A Joana o libertou
E a Joana o prendeu
28/11/12 - 04:48
