Achei que nunca chegaria. 2016, viva.

Curiosamente esse título é quote para muita gente: o desânimo generalizado que assolou o ano de 2015 nas terras tupiniquins fez 2016 parecer mais longínquo que 365 dias. Economia, retração, medo, incongruência política, conspiração. Mas não vamos ser generalistas e sim específicos.

Há cinco anos eu tinha apenas uma certeza: que eu não veria 2016 chegar. Quem me conhece sabe que, na escala do otimismo tendo a ser aquariana demais: acredito no futuro e tento vivê-lo mesmo que ele seja um vulto.

Não acreditar nesse espírito carregado de esperança era algo que destruía a minha própria essência. O fato era colocado na minha cara toda vez que eu tinha que digitar a validade do meu cartão de crédito em algum site: “qualquer mês de 2016”. Eu pensava comigo mesma: “a validade do meu cartão será mais longa que a minha própria existência de agora em diante”.

Estamos às bordas de 2016 eu não tenho nenhuma certeza em relação a minha própria biologia. Minhas células continuam a se reproduzir, em velocidade inversamente proporcional ao senso de eternidade. Esse, parou de vez.

Até 2011 eu tinha uma pitada desse fardo que assola os jovens.

Bastou uma lombada da vida e esse senso passou. Aliás, meu conceito de jovem também mudou muito de lá pra cá.

Os jovens se preocupam com seus descendentes, em fazê-los e criá-los. Minha visão de jovialidade passou a ser olhar para os ascendentes. Entre meus ascendentes está minha família, a cidade onde moro, o mundo em que vivo e quem deu origem a quem sou. E olhando do ponto zero pra cima (não para trás, que fique claro) vejo que o quanto há a aprender e oferecer.

Só fica velho quem não consegue olhar algo novamente e de uma forma diferente.

Modéstia de lado, isso faz parte de um dom que percebi aos poucos que eu tinha. Tentar muito, desistir pouco, sempre carregar comigo a esperança como se ela fosse a última gota de perfume no frasco, o último naco de pão na mochila e o último gole d’água num dia quente.

Os dias foram quentes em 2015.

Mas olhei pra todos como se fossem belo dia de sol, independente se eu estava afogada em problemas ou no mar do Caribe.

Quase sempre essas coisas coexistem e 2015 me ensinou a expressão blue asphalt. E também a expressão anhedonia, a qual temo mais que câncer.

2015 foi.

2016 chegou.

Viva.

Cheguei.

São cinco anos esperando por ele. Cinco anos achando que ele não cruzaria meu caminho e pensando no que escreveria para explicar isso. O “não estou aqui” do Quintana foi o que me pareceu mais plausível (já fica a dica caso alguma merda aconteça).

Entre o meu achismo e a chegada de 2016 fiz muitas coisas. É tão lindo lembrar dessa linha do tempo que ficou entre o FODEU GERAL e o HOJE.

Superei alguns medos, dos mais babacas como viajar totalmente sozinha para fora do país até o medo de ter uma recidiva ou um novo diagnóstico das pessoas ao redor.

O medo de embarcar sozinha virou algo que até passei a apreciar. E o medo geral virou milestone novamente.

Superei o medo de andar de bicicleta fora da ciclovia e escapei de ter sido atropelada algumas vezes. O medo vira coragem.

Reencontrei gente, perdi gente, amei mais as pessoas. Exigi dos outros muito menos do que exijo de mim. Quebrei a cara uma centena de vezes, mas continuei sendo jovem olhando de novo, de uma forma diferente. E isso não me impediu de me estrepar mais algumas vezes.

Fui à Amsterdam entender, a ilha de San Andrés agradecer, a Nova York viver o que amo, a Paris aprender o que amo e fechei 2015 no Pará entendendo que a realidade é a janela por onde os outros olham.

A gente não.

2016, VIVA.

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