Engajamento e o Fact-checking nas redações, na política e na gestão de crise

Engajamento se tornou um dos objetivos mais perseguidos pelos meios de comunicação depois que as redes sociais começaram a ser levadas a sério pelo Jornalismo.

Essa busca pela interação exige uma velocidade de produção que põe em risco o rigor da apuração e orienta tanto a construção das narrativas para as redes quanto as métricas de sucesso de uma publicação. Os botões Curtir, Comentar e Compartilhar, quando acionados pela audiência, fazem brilhar os olhos de quem publica. Tanto que temos rankings de engajamento nas redes para os sites de notícias, como o Torabit no Brasil, e outros, como o Klout, que classificam o nosso grau de influência nas redes sociais.

Com o intuito de engajar o leitor, reforçamos os conteúdos de opinião, editorializamos nossas chamadas, “esquentamos os assuntos” e criamos call-to-actions para as notícias. É o Jornalismo adotando as ferramentas do Marketing. Quando publicamos conteúdos editorializados nas redes em busca de engajamento e, principalmente, do compartilhamento como modo de ampliar o alcance das nossas publicações e gerar tráfego para os nossos sites, estamos também alimentando um hábito cada vez mais comum na audiência, o de “carimbar” conteúdos que validem a argumentação dos leitores nas conversas em suas próprias redes. E isso ocorre muitas vezes sem que seja necessária a leitura para agregar um comentário, afinal a opinião muitas vezes já está lá, no conteúdo original. Basta aderir.

Acredito que esse hábito ajude a pavimentar o caminho para o fluxo da notícia falsa, construída de modo similar, com a mesma lógica de busca por viralização, mas cujo conteúdo tem propósito oposto. Em vez de informar, propaga o ruído. As “fake news” — que trafegam parecendo verdadeiras nas redes sociais, mas também em redes fechadas, como o WhatsApp — ao serem compartilhadas por alguém confiável da nossa rede recebem uma validação. Validadas, elas causam prejuízos, espalham desinformação e devemos enfrentá-las com rigor e metodologia. Elas continuarão produzindo danos à sociedade se não nos instrumentalizarmos para combatê-las. Profissionais de verificação de fatos e dados já são necessários nas redações e serão fundamentais em comitês eleitorais e nos de gestão de crise, por exemplo.

Admito que a intensa disputa por atenção a que está submetido o Jornalismo, num momento em que uma parte substancial da sociedade trata a informação com leviandade e não percebe a importância e a necessidade do rigor jornalístico, faz com que a notícia dependa mais de instrumentos de marketing para alcançar seu público.

Porém, se a credibilidade não é suficiente para dar relevância aos meios de comunicação, se a busca pelo engajamento é uma condicionante valiosa para a sobrevivência das empresas de mídia e se concordamos que essa busca acaba, ainda que indiretamente, alimentando a narrativa dos partidários, dos “haters” e dos embaixadores de marcas abrindo espaço para a proliferação das notícias falsas, deveríamos buscar vacinas.

O fact-checking é uma dessas vacinas. A adoção de metodologias de verificação de fatos e dados passa a ser obrigatória nas redações, nas áreas de comunicação das campanhas eleitorais e nos comitês de crise. O Jornalismo, para ter sua importância percebida pela sociedade, além de criar conteúdos de qualidade e fiscalizar os poderes, tem que olhar para os ambientes em que flui a comunicação e adotar métodos e atitudes que ajudem a evitar a propagação de informações incorretas, a restabelecer a verdade sempre que necessário ou até para garantir as reputações de quem está sendo injustiçado.

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