A gente é a próxima

Foto da Wizened Tree, por Patrícia Vera.

São exatas 2 horas madrugada de um sábado e estou, como muitos jovens da cidade, com uma cerveja na mão. Não muito gelada por causa do ambiente que estou. O bar não estava cheio, era a arquitetura que cooperava para a sensação de abafo, o que fazia minha bebida esquentar rápido.

Observo com atenção a apresentação de uma banda com nome em inglês. Apesar de intitulado de forma difícil de pronunciar, o grupo é composto por amigos meus, de infância até. Todos bem diferentes das crianças que conheci anos atrás. Agora são cabeludos e estão embriagados, movendo seus corpos como em um ritual.

Mas tão impressionante como a mudança de aparência e comportamento é o talento que demonstram em cima do palco. Coordenados, com excelente presença de palco e donos de músicas carismáticas, que fazem você querer cantar junto mesmo sem saber a letra.

Observando aquela cena, meio ébrio, fico me perguntando o que os fazem gastar uma bela quantia de dinheiro, perder grande parte do seu tempo, às vezes prejudicar a própria formação e até trabalho, para subir em cima do palco aproximadamente uma vez por mês para tocar para menos de duas dezenas de pessoas. Sem pensar muito, chego a conclusão: são loucos.

De repente, um chamado me tira da inércia.

- Ei, Luís! Eles estão acabando, a gente é a próxima. Bora!