Costas.

Ela estava de costas para mim. E eu ali, a no máximo dois metros de distância. A mesa dela estava à minha diagonal. A achei bonita mesmo sem ver seu rosto. Nunca me vi atraído pelas costas de uma mulher. Novidade. Comentei sobre isto com meu amigo, sentado ao meu lado, que praticamente ignorou o comentário. Era sexta-feira e estávamos em um bar.

A moça estava rodeada de amigas. Todas menos interessantes. Quando estas se levantaram, não esperava que algo acontecesse, mas de súbito saí de minha mesa e fui ao encontro dela. Pedi licença e perguntei se poderia me sentar ao seu lado. “Pode sim”, foi a resposta. Por esta eu não esperava. Nunca tinha feito isso na minha vida. O que faço? O que falo? Não sou bom em conversar, e sou péssimo com as mulheres. Imagine conversar com mulheres. Terrível ideia! Devia ter apenas apreciado com moderação e voltado para a minha cerveja, como de costume. Ao menos teria o “e se” para me confortar na manhã seguinte.

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Perguntei o nome da moça e usei a música como assunto. Ela me disse seu nome e revelou não conhecer o que estavam tocando. Eu fiquei confuso. Apesar de sentada, ela se remexia, e com carisma, ao som ao vivo. A banda tocava algum samba ou MPB. Permaneci ali por poucos minutos. Mais tarde, meu amigo, que observava meus movimentos, disse que nós ríamos e que parecia tudo bem. Talvez. De toda forma, a minha capacidade de diálogo se esvaiu e ao vê-la mexer no celular, senti a deixa. “Bom, eu vou voltar para os meus amigos. Foi um prazer conhecê-la”. “Tudo bem”, ela disse.

Voltei para a minha mesa. O meu amigo comemorou a ação surpreendente. Sempre fui tímido. Já eu pensei: Terrível ideia! Devia ter apenas apreciado com moderação e voltado para a minha cerveja.