Quando voltar a escrever sobre amor

Não haverá lugares para garrafas
De cerveja, vinho, uísque…
Tropeços, bêbados voltarão para casa
E lá ficarão
Hibernarão
Não serão citados
Ilhados, esquecidos

Quando voltar a escrever sobre amor

Paixões de bar tornarão-se vulgares
Estúpidas, rebolarão 
rumo ao limbo 
da minha inspiração ignóbil
plebeia, pobre

Quando voltar a escrever sobre amor

Bukowski restará empoeirado
O pôr do sol da cidade
Rosa, amarelo, vermelho
Então fará sentido
E um sorriso se abrirá
Pleno

Quando voltar a escrever sobre amor

O café será mais forte e
Uma valsa vai embalar-me
Acolhedora
Dando o ritmo do gozo
A euforia será sóbria então

Quando voltar a escrever sobre amor
Não haverá mais nada a ser escrito