#GoogleNaoCensureaLola um apelo ao Google

Seminário Mulher e mídia: olhares feministas. Lola Aronovich e Heloisa Buarque respondem. foto: Lieli Loures

Viver não é fácil — e fica ainda mais difícil pra quem é militante sem qualquer estrutura de suporte. Ontem o Blog da Lola (Escreva, Lola, Escreva), que acompanho desde que me entendendo com blog — ainda no blogger — perdeu todas as imagens, porque o Blogger Google considerou que violou seus Termos de Serviço.

Graças a um ataque violento dos mascus, muito bem organizados em chans, o Google Brasil aceitou as denúncias, feitas com scripts e outros métodos, e tomou providências por violação dos Termos de Serviço.

Uma péssima decisão do Google

Eu já vi isso acontecer muitas vezes. É o maior risco de se manter num serviço gratuito — que garante segurança contra hacks e outras ruindades digitais, mas jamais garantirá independência. Blogger, Tumblr e até o Medium, que são serviços gratuitos de publicação de conteúdo sempre terão esse pé fraco. Ontem, depois de muito tentar, o ódio conseguiu vencer.

Não acho que avaliação do Oráculo foi justa, muito menos acertada. E também não endosso nem assino embaixo de muitas coisas que a Lola acredita (e escreveu no post que está no fim deste texto), porque entendo como a internet e seus serviços funcionam — e suas regras. Reafirmo, entretanto: a decisão está errada. Não há e nunca houve no blog pedofilia ou qualquer outro conteúdo que viole os Termos de Serviço. Repito: sou leitora desde 2008.

Ajuda digital para a Lola

Com alguns coletivos feministas importantes militando no espaço digital, não há razão objetiva para o blog da Lola ficar fora do ar (ou sem imagens) — e muito menos para continuar no Blogger. O Google há muito tempo já provou que o “Do no Evil” ficou no passado, está enterrado e morto.

A questão fica grave porque a Lola tem muitos leitores, muitos detratores, é fogo alto e quente. Hospedar o blog dela significa não só ter capacidade para alto tráfego, como ter muito conhecimento sobre o CMS escolhido, sistemas e os métodos usados para atacar. Ela não tem conhecimento técnico, muito menos vontade de ter domínio e manter a infraestrutura necessária (que custa um bom dinheiro), sem contar que tem pouquíssimo apoio técnico, até onde consigo perceber.

E pra completar, a Lola — que é professora de literatura e precisa se dedicar a outras coisas nesta vida — resiste bravamente ao conselho geral e sensato de migrar, mudar e encarar não só ter gastos com a manutenção do seu blog como também com a sua segurança virtual.

Do meu lado, resisto à tentação de criticar. Eu sei o pânico que senti quando esses mesmos mascus começaram a atacar pessoas que a seguem e apoiam. Quando estes mesmos mascus (já identificados, condenados, presos e soltos) atacaram programadoras — ameaças, claro, mas que provocam medo e insegurança.

Insegurança para as mulheres também no meio digital

Haja fôlego para resistir a ataques, investir dinheiro do próprio bolso em um projeto absolutamente pessoal. Haja amor e alento para apoiar e acolher estas mulheres — e são muitas — que são atacadas diariamente no meio digital.

É no Facebook, é no Twitter, é no Blogger, é no Medium, é no YouTube. Basta a feminista começar a ganhar um pouco de tração, atenção e repercussão, que os mascus aparecem.

Sim, faz parte, é do humano e está na internet. Só que no Brasil, sem segurança alguma (quem aí conta com a polícia — qualquer uma delas — pra te proteger?), com o machismo comendo solto inclusive dentro de “Delegacias da Mulher”, essa pedra é muito dura.

Em 2016 houve muitos incidentes. Ataques diretos. Ataques indiretos. Ameaças. No Brasil e no mundo, as mulheres que militam pela sua liberdade, igualdade e um mundo mais livre (e será mais livre pra todo mundo) sofreram muito para garantir a sua segurança. Do cancelamento de palestras no SXSW a gente mandando foto de piroca não solicitada, o mar não tá pras minas — e nem pra qualquer outro movimento a favor dos direitos humanos, diga-se.

O ThinkOlga inventou, por isso mesmo, a campanha #MandaPrints. Providência fundamental pra informar e ajudar quem passa por isso — não é pra Lola, mas pode servir a você ou a uma pessoa de seu convívio que sofra violência digital. Se você clicar no link aí em cima terá acesso a mais informação de qualidade. Aproveita que tá em falta.

Por isso escrevo também aqui: #GoogleNaoCensureaLola. Este blog é importante, fundamental, tem conteúdo de primeira qualidade. A gente pode não concordar em muitas coisas, mas nós, feministas, estamos todas juntas no mesmo barco, na mesma luta.

update antes mesmo de publicar

Olha gente, é difícil. Fui caçar uma foto da Lola (e do cabeçalho do blog) no Google porque não tenho nenhuma. E no meio de fotos legítimas aparecem diversas outras dos atacantes. A mesma coisa acontece no Flickr.

Como diabos nem Delegacia (Lola tem uma pilha de Boletins de Ocorrência registrados) ou Ministério Público ou qualquer órgão de “justiça”/”segurança” toma providências. O próprio Google simplesmente ignora o fato. Nem vou falar de Yahoo ou Flickr porque isso dá outro post deste tamanho.

Indignação pouca é bobagem.

Foto da página: Marcha das Vadias Sampa, no Flickr, CC-BY-NC-SA; foto do destaque: não consegui achar crédito no tio Google.


Originally published at Ladybug Brasil.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.