Como vai, como vou, como-me e vou

Jurei que não ia te transformar em conto, poema, história ou nota. Mas, só queria saber algumas coisas (que você e seu orgulho jamais dirão para mim):

O meu quarto continua vazio? Virou depósito de sentimentos e tristezas? Virou um celeiro de coisas antigas? Ou ainda está lá?

Eu ainda reconheceria a desorganização da sua vida ou acharia tudo muito arrumado após a minha ausência? Como desejo para ti isso. Jamais reconhecer aquela desorganização, ainda que ela tivesse muito de mim em cada coisa espalhada. Como desejo para ti jamais não saber onde estão as coisas, as pessoas, a cabeça. Tudo no lugar devido.

Às vezes me pego pensando como seria o jeito novo de decidir o que almoçar no domingo, visto que não tem mais entre vocês a “do contra” que nunca queria carne e sempre macarrão ou risoto. Fico pensando na facilidade que deve ser organizar o almoço. Os pratos podem esperar até segunda-feira, a casa jajá se ajeita novamente.

Às vezes me pego pensando em como deve ser saudável dormir a vontade numa cama enorme sem visitas e medo do escuro. Tenho certeza que a sua coluna agradece e muito a minha partida.

As coisas tomam formas novas todos os dias, a todo momento. Mas, é inevitável não pensar às vezes. Só às vezes, surgem algumas dúvidas. Como estão as coisas, como está tudo.

Por aqui tudo está. Exatamente como deveria estar e acontecendo exatamente como deveria acontecer. A hora é exata e não falha.

Só me pego pensando mesmo.

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