Eu tinha dezesseis anos quando eu comecei um curso técnico de Design Gráfico. Eu era fascinado por programas de edição de imagem desde que meu pai chegou em casa com um CD do Photoshop 7.0, por volta de 2002, e o curso técnico parecia o caminho natural a seguir.
Todos os dias eu enfrentava uma viagem de ônibus até o colégio normal, onde ficava das sete da manhã ao meio dia e meio. Depois, eu pegava outro ônibus até o colégio técnico e, às seis e meia da noite, pegava o último ônibus com destino à minha casa, onde chegava por volta das oito.
A rotina não era tão complicada depois que eu entendi como funcionava. Eu fazia os trabalhos do técnico durante o horário do ensino médio, dormia durante as aulas do técnico, e estudava para o médio durante a noite. Simples assim.
Por mais que a rotina estivesse puxada, não era essa a razão para eu desanimar das aulas. Eu percebi que eu simplesmente não tinha paciência para toda a teoria envolvendo cores, sentidos, misturas, tintas, elipses, retângulos e tudo o mais. Do segundo para o terceiro e último semestre do curso, eu “esqueci” de fazer a rematrícula, o que acabou me rendendo bastante tempo livre (e uma baita bronca) nos próximos meses da minha vida.
Depois disso, eu fiquei perdido por um bom tempo. Uma das únicas, senão a única certeza que eu tinha no auge dos meus 17 anos era de que queria seguir na área de design, e agora tudo estava perdido. Terminei o ensino médio, fiz um ano de curso preparatório (preparatório para que?) e um ano somente trabalhando antes de optar por outro curso que seria o caminho natural para alguém que não tirou nota maior que cinco em matérias de exatas durante todo o ensino médio. Eu decidi fazer jornalismo.
Acontece que, nos primeiros anos de jornalismo, as únicas opções de emprego são em assessoria de imprensa ou em comunicação interna de empresas. Eu optei pela última. Na entrevista, me disseram somente que eu cuidaria de passar comunicados para os funcionários e dos quadros de aviso, mas esqueceram de me avisar que eu teria que me aventurar novamente em design.
A surpresa se deu quando eu percebi que eu senti falta deste mundo. De edição de fotos à criação de logos ou layouts, tudo parecia reconfortante. Apesar de ter que lidar com ideias absurdas e prazos mais absurdos ainda, a imaginação fluía bem e os trabalhos saiam cada vez melhores. O amor renovado por criar agora me incentiva a ser cada vez melhor nos futuros projetos.
Onde eu quero chegar com isso? Não sei. Acho que, no final das contas, algumas coisas deixam sua vida para voltar na hora certa. Aí, então, tudo se encaixa.
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