AS 2 GUERREIRAS

A batalha foi longa. Os últimos 10 anos foram intensos, árduos, extenuantes. A respiração já era rara, a voz era passado e a passagem era tão realista que a vida já havia se tornado devaneio. É estranho assumir, mas o momento havia chegado.

A última troca de olhares tinha que ser entre vocês duas. O último esforço tinha que ser compartilhado. E foi! Foi e agora não tem mais volta. Exatamente como nos foi ensinado. Exatamente como tem que ser.

Alivio! Não pela partida, mas pelo dever cumprido e a certeza de que o enredo que foi escrito teve duas protagonistas. Duas heroínas que lutaram com as suas armas carregadas de humildade e compaixão, que fizeram do suor sua principal estratégia na guerrilha, e que ficaram de mãos dadas até quando o fogo era amigo.

Quando na juventude a filha quis viver um pouco mais, a mãe ofereceu a cobertura na retaguarda. E no momento em que tudo que a mãe queria era viver mais, a filha colocou seu exército na rua. As fardas foram muitas, as especialidades incontáveis, mas sempre a intenção era a mais pura.

A mãe entendia que a filha precisava se preparar para as batalhas do futuro, e 2 noites e 1 dia na fila da matrícula escolar foi só um jeito de garantir que ela teria algumas ferramentas na sua mão. Talvez seja por isso que na época de faculdade a filha fazia questão de começar a madrugada com um papo na cozinha. Sobre a vida, sobre os problemas, sobre as alegrias, sobre os amores. Nos últimos anos o papo passou a ser silencioso, mas os olhares eram capazes de dizer muita coisa. Um suspiro ao final de um exercício diário, um sorriso com um cabelo penteado. E mesmo quando a mensagem não vinha, a filha era capaz de ouvi-la.

Numa relação tão sincera, que ficou confusa. Numa troca tão genuína, que parecia de mentira. Mãe e filha jã não existiam. Mãe e filha se confundiam. Daqui pra frente o corpo vai ser 1 só, mas assim como sempre foi a alma, e como sempre será.


Uma homenagem à relação mais intensa que já tive o prazer de ver. Brilha no céu, Dona Amália, que a Sandra vai continuar sendo nossa guerreira aqui embaixo.

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