Habituar e… desabituar — Parte 2

Finalmente conheci alguém da Índia que já esteve em Lisboa! Estava com mais um português e um alemão e encontramos curiosamente um professor Alemão com uma Indiana (que no final de contas era a mulher dele). Ambos tiveram em Lisboa por razões diferentes mas o melhor foram as curiosidades sobre a India que nos contaram.Fiquei a saber que existem regras para comer com as mãos! Eu a pensar que era de uma maneira qualquer mas afinal até comer com as mãos tem regras que cá se aprendem enquanto pequenos. Aprendi como comer arroz com os dedos e sem sujar mais de metade dos dedos (porque é considerado falta de educação em algumas das regiões da India) e ouvi novamente os relatos de como Goa está cheia da influência portuguesa na India. Está definitivamente nas cidades a visitar!

Por falar em sujar…umas das coisas para me habituar por cá são as casas de banho. Quem já esteve pela Ásia já sabe como funcionam as coisas neste aspecto. Sem dar demasiados detalhes: por aqui não se usa papel e as sanitas são para serem usadas por pessoas com deficiência que não conseguem se agachar junto ao buraco no chão. O papel é substituído por uma torneira e um pequeno balde ou então por um chuveiro ao nível do chão. Parecendo que não, é bastante prático!

Toda a água que sai da torneira por aqui não é boa para beber (pelo menos sem viagens obrigatórias ao buraco no chão). No entanto o IIT atenua bastante esse problema. O campus tem uma estação de tratamento de água própria e distribui essa água diariamente por todo os edifícios. Seja nos restaurantes/cantinas que existem por aqui até ás máquinas que dispensam água quente ou fria que temos distribuídas pelos pisos da residência, a água é segura. Só tive de adicionar à minha rotina ter sempre uma garrafa cheia dessa água por perto e lavar os dentes com recurso a uma dessas águas.

Descarga dos garrafões de água tratada.

Até ficamos a ganhar com as máquinas que temos! Assim posso fazer café instantâneo com a água quente. Café foi (infelizmente) uma das coisas que tive que me desabituar, mesmo não bebendo sem ser em período de aulas em Lisboa. Não há Nescafé instantâneo ou café indiano que chegue ao nosso. Acho o café indiano bom, mas não para me manter acordado quando tenho aulas ás 8h. Não é nada forte e eles por cá metem mais de metade de leite no copo e açúcar em doses industriais, até mesmo para pessoas como eu que metem um pacote inteiro no café. O mesmo para o chá: leite e açúcar. Como gosto mais do sabor do chá é só do que tenho bebido.

Pedi um chá. Foi desta maneira que eles o fizeram. No geral é sempre com esta técnica que eles o fazem. O procedimento para o café é quase o mesmo só muda o pó que metem.

Estar a suar enquanto me chove em cima também é uma coisa nova para mim. Quando está mau tempo em Chennai só significa que está mais vento e chove torrencialmente porque a temperatura nunca desce abaixo dos 30ºC. Isso e os mosquitos fazerem filhos instantâneos. Tenho a impressão que se duplicam quando existe chuva(e também as minhas picadas). No geral sabe bem quando se apanha uma molha em cima secar relativamente rápido mas a chuva nem sempre é confortável quando se está longe. Felizmente tenho para-lamas na bicicleta senão parece que tinha tomado banho de lama nas pernas. Como está calor, mesmo com chuva o vestuário é o mesmo: chinelos, calções e manga curta.

Se não me apetecer andar de bicicleta existe sempre o autocarro do campus. Das 6h da manhã ás 2h da noite de 15min em 15min lá andam os velhos autocarros de um lado para o outro no campus.
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