João do Rio: Uma análise da trajetória e obra do autor pelo texto “Os Tatuadores”

Por Luis Henrique Cunha

João do Rio, pseudônimo de João Paulo Barreto, foi um jornalista carioca tido por muitos como um dos primeiros jornalistas investigativos do Brasil. Em suas obras, buscava ir de encontro a temas que não costumavam rondar os jornais da época, desbravando as ruas para falar com o povo e retratar suas histórias.

No texto “Os Tatuadores”, presente na obra “A alma encantadora das ruas”, João do Rio parte em busca da construção de um retrato da arte da tatuagem, seus artistas e seu público alvo. Com pinceladas a respeito da origem do termo, o autor cunha os diversos perfis das pessoas que buscavam marcar na pele algum sinal — figuras religiosas, coroas, franjas e afins. Retrata, também, os métodos utilizados pelos tatuadores em seu ofício e acompanha a rotina de um em específico, descrito por ele como alguém que já esteve preso por diversas vezes, vive nas ruas e é poeta.

Em minha opinião, gostei bastante do texto lido. João retratou, em um Rio de Janeiro que buscava mudanças, o tipo de arte que era praticado por camadas sociais tidas como inferiores (vendedores ambulantes, operários, soldados, criminosos, meretrizes…) e os lugares onde tais pessoas se encontravam para realizar o procedimento (ruas e vielas perto dos portos). Nesse contexto, me chamou a atenção o relato de um marinheiro que afirmou ter marcado nas costas o símbolo da cruz com o propósito de que, sempre que fosse chicoteado, o agressor temesse estar ferindo não só ele, mas também Deus.

Por diversos aspectos, seja por João ter sido uma pessoa muito culta ou pelos próprios costumes da época, seu texto engloba, muitas vezes, palavras em francês. Em outros momentos, ele usa de sua bagagem cultural para decifrar as origens do termo “tatuagem”, advindo da Polinésia, e nos remete a um estudo sobre a aceitação da tatuagem em diversos países, bem como os motivos que levam pessoas a se tatuar e o que os símbolos representam em outras culturas.

Comentando especificamente sobre a forma como o autor escreve, me senti lendo uma coluna do Paulo Germano para o jornal Zero Hora, por exemplo. A transição entre diálogos, relatos, fatos e histórias tornam o texto de João do Rio uma grande mistura de reportagem e crônica com trejeitos literários. Dessa forma, o autor retratava, em seus livros, um Rio de Janeiro jogado para debaixo do tapete, expondo os dramas, mazelas e histórias de um povo, até então, sem voz.

Texto elaborado para a disciplina de História do Jornalismo do curso de Jornalismo da ESPM-Sul.

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