Suicide Squad (2016)

Suicide Squad é dirigido por David Ayer e conta com as performances de Will Smith, Margot Robbie e Jared Leto.

Depois do fiasco que foi ‘Batman v Superman: Dawn of Justice’, há cerca de 5 meses atrás, a expectativa era que Suicide Squad conseguisse salvar o ano para o universo DC, não só pela premissa do filme como também pelo material bibliográfico disponível e ainda pela (interessante) escolha de elenco. Infelizmente desaponta. E muito.

Comecemos, no entanto, pelos pontos positivos. O primeiro acto (de três) é o mais bem conseguido e investe na introdução dos vários membros do esquadrão. À cabeça está Will Smith, no papel de Deadshot, sendo que é ele, de caras, o personagem mais bem elaborado do grupo e o que apresenta a maior bagagem emocional e humana. Estas últimas vertentes são desde cedo estabelecidas através da história da relação com a sua filha, que nos é contada com recurso — por vezes excessivo — ao flashback. Consegue ser também um dos personagens que consegue ditar, ainda que de maneira contida, o tom marcadamente leviano do filme, através de uma série de inteligentes tiradas de humor.

A outra personagem de relevo em Suicide Squad é, sem sombra para dúvidas, Harley Quinn. Margot Robbie constrói uma interpretação brilhante da personagem e conseguiu claramente fazer transparecer o lado completamente psicótico de Harley pontuando-a, no entanto, com um — essencial — lado emotivo e humano. Os seus diálogos são, no entanto, demasiado focados no humor (algumas das piadas são fracas) e teria sido, por isso, interessante ver um texto um pouco mais elaborado para esta personagem.

Há ainda que realçar outros dois personagens: Captain Boomerang (Jai Courtney) é o terceiro personagem com mais destaque no esquadrão e consegue ter momentos interessantes. Por outro lado há que dar destaque ao trabalho de caracterização de Killer Croc (Adewale Akinnuoye-Agbaje) visto que, num louvável esforço de evitar efeitos especiais, levou à criação um fato e maquilhagem de corpo inteiro para o personagem.

E, infelizmente, acabaram-se os pontos positivos sobre Suicide Squad! Continuando ainda no primeiro acto, a apresentação dos personagens é feita de uma maneira demasiado genérica e pouco imaginativa. Os personagens foram-nos sendo apresentados uns atrás dos outros, qual desfile, seguindo sempre o mesmo formato: explicação (em vez de uma, muito mais interessante, demonstração) do significado e importância de cada um, seguido de um breve flashback e acompanhado de uma música temática sempre pouco natural e algo forçada. Muito sem sal…

Os restantes membros do esquadrão são personagens com pouca ou nenhuma profundidade e contexto o que os torna muito pouco interessantes. A personagem de Viola Davis, que funciona como uma espécie de chefe do grupo, também não resulta e os seus diálogos nunca atingem o grau de credibilidade desejado.

Um dos personagens que tinha mais potencial era o do Joker (Jared Leto) mas, e no que parece ser já norma neste filme, também acabou por não resultar. Fica a sensação que Leto tentou personificar Joker através de uma mescla de caracterizações antigas (nomeadamente Nicholson e Ledger) o que há partida poderia ser algo interessante. Na prática, no entanto, este Joker não é nada mais do que estranho e extravagante o que não é, de todo, o que o personagem deveria representar. Outro ponto bastante negativo, e que claramente impossibilita a construção de uma personagem mais rica, é o curto tempo de ecrã dado a Leto (deverão ser pouco mais de 10 minutos). Os trailers apresentados mostravam um Joker interessante. Agora, percebe-se, que os ditos trailers mostravam o único Joker do filme. Pura e simplesmente não havia mais filme com o personagem.

Para rematar a questão das personagens, falta referir que a vilã desta história é Enchantress (Cara Delevingne). Mais uma vez uma personagem fracamente construída e cujo desenvolvimento ao longo da história é sempre pautado por muita confusão. Os seus rituais e poderes mais para o fim da história são simplesmente maus e causadores de alguma vergonha alheia.

No que diz respeito, agora, aos outros dois actos do filme, a qualidade desce ainda mais uns furos… Trata-se de uma gigantesca cena numa cidade deserta e desprovida de qualquer carácter e que segue, vezes sem conta, a mesma fórmula: cena de acção, piada fácil, repetir. Isto, aliado a uma notória falta de qualidade quer nas cenas de acção tornam o filme rapidamente chato. Acresce a isto uma edição muito fraca visto que estes dois actos parecem ter sido cortados e editados em excesso (um elevado número de cenas foram claramente gravadas muito mais recentemente) sendo que só sobrou acção. Diálogo do bom está quieto… Por fim, é impossível não mencionar a qualidade atroz de certos efeitos especiais (especialmente na Enchantress). Um blockbuster deste calibre tem de oferecer muito mais que isto.

O argumento de Suicide Squad está, também ele, muito mal ‘temperado’. Sempre muito simples, não há um único momento ao longo das duas horas de filme que seja assinalável ou memorável. Os diálogos, em consequência, também são bastante inorgânicos e pouco interessantes.

Suicide Squad não me parece, de todo, o filme que David Ayer projectou na sua cabeça. As suas capacidades já foram mais que provadas em fitas anteriores (Fury e Training Day, são excelentes exemplos) sendo que, neste caso, a sua criatividade parece ter sido claramente toldada por um sem número de orientações e imposições estabelecidas desde início.

Desapontou, e muito, este esquadrão.

5/10