Oi, eu sou atendimento em uma agência.

Ah, o atendimento. Esse cargo tão odiado por todos os outros profissionais de uma agência. Com certeza, todos que trabalham na área tem mil estereótipos para compartilhar sobre os atendimentos que convivem: braço curto, encaminhador de e-mails, aquele que acha que briefing com uma linha já serve para fazer uma campanha inteira, a mulher burrinha que ganha salário para tomar café com o cliente etc. Mas, afinal, por que nossos coleguinhas carregam tanto desamor pela nossa profissão no coração?
Eu acho que tenho uma vaga ideia sobre o porquê: o atendimento é o responsável por ser o meio campo entre cliente e produção. Isso quer dizer que ele precisa entender as necessidades de quem contratou a agência, e transformar em objetivos palpáveis para que cada área da produção (planejamento, redação, design, desenvolvedores, arquitetos de informação, social media, finalização) consiga contribuir com sua expertise para trazer o melhor conjunto de ideias em um produto com qualidade e no prazo estipulado. O atendimento não bota a mão na massa nos jobs, mas capta e molda todas as informações necessárias para que sejam desenvolvidos com o mínimo de refação esperado.
Por isso, ele é responsável por ser a mente do cliente dentro da agência. A visão de negócio da empresa para qual está prestando serviço precisa estar na mente e na alma deste funcionário, sempre. E isso faz com que este profissional cobre e peça alterações nos jobs, mesmo não sendo seu superior. Ou seja: ele vai te cobrar uma data de entrega, perguntar se há dúvidas sobre as informações passadas para produzir o que é preciso, e também vai fazer a revisão do que você enviou, esperando qualidade e alinhamento com o que o cliente deseja e espera.
E em agências onde existem projetos que não serão campanhas (como projetos de branding, digitais, para o trade, entre outros) o atendimento é aquele que vai trabalhar como par de um gerente de projeto, para que juntos possam otimizar a expectativa x realidade do que é esperado pelo cliente.
Na convivência dos jobs diários, ele vai puxar a orelha do mídia quando o objetivo do investimento não for alcançado, depois de passado e repassado o briefing. Ele vai sim para a reunião semanal com aquele cliente potencial que tem um leque de oportunidades de novos jobs para a agência (e não adianta tomar café e só, precisa saber conversar sobre todos os assuntos possíveis, além de mostrar que entende bem da solução que está trazendo para o cliente). Ele também vai revisar relatórios, ter uma noção macro de todas as áreas para não extrapolar na hora que for pedido “um ajuste simples e rápido” no job que foi entregue pelo cliente. Além disso, precisa ser proativo para enxergar oportunidades e constantemente atualizado das tendências do mercado para poder conseguir prospectar e sugerir novas ideias e soluções para as contas que atende.
Mas o atendimento não é apenas aquele cara chato que pede alteração no job entregue antes de mandar para aprovação do cliente: ele também é a pessoa que defende o ponto de vista da produção em relação a alguma alteração estranha que foi pedida (não que tenha sucesso sempre em aprovar a ideia sensacional enviada). Ele vai vibrar quando um job não voltar com alterações e vai repassar todos os elogios de um cliente satisfeito. E, (para alguns tudo isso pode ser teoricamente), ele vai ficar junto com produção até mais tarde para acompanhar o que está sendo feito, revisando já em tempo real aquele projeto que apertou o prazo.
Deu para ter uma ideia, não é mesmo? Atendimento é muito mais que uma mulher bem arrumada (não vou citar decotes) que leva o cliente para almoçar — ele precisa ser um profissional dinâmico, sempre atualizado com as tendências do mercado, com visão estratégica e multidisciplinar que viabiliza dentro da agência o que o cliente quer, orientando de forma clara e (teoricamente) completa a produção para que a agência entregue soluções com qualidade.
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Originally published at eusouatendimento.wordpress.com on March 3, 2015.