Eu não sou uma romântica

Eu aprendi a mentir no começo a adolescência, para esconder dos meus pais os casinhos não aprovados. Mas a primeira mentira que realmente doeu foi a de amar alguém para sempre, a promessa saiu da minha boca como um cão animado ao ver o dono entrando em casa. Não sei onde esse amor foi parar, eu posso jurar que não fiz nada para ele sair de mim, mesmo assim ele escorreu junto com a tinta em meu caderno.

A pessoa para quem foi doada a promessa nem deve se lembrar, espero que nem pense em mim depois de tantos anos e que tudo tenha sido uma brincadeira inofensiva de uma menininha que havia lido romance demais. A dor ficou em mim mesma, por hoje perceber como estrelas se destroem mesmo, o fluxo de energia deve continuar.

Eu consumi todos os meus amores e até hoje tenho medo de tocar em suas memórias, só abro a caixinha para colocar algo novo lá. Vou acabar virando um sótão de todas as pessoas que passaram por mim e isso me aterroriza nas noites em que não consigo dormir. Pra onde diabos foram tantos planos, cartas, fotos e confidências?

Sempre tive medo de sentir saudade para sempre, tanto que eu fingia que ela não estava lá. Agora eu tenho medo de nunca ter amado como deveria, não pela duração, mas por hoje não doer ter acabado o que construí com a pessoa, sim o sentimento que eu gostava de cultivar. Não sei cuidar dos meus enamorados, eu os cultivo até que cresçam mais que à mim, depois meus dedos se tornam veneno até machucar demais o estrago que eu fiz e eu abandoná-los para morrer ao relento.

Quebrei todos os acordos que fiz comigo, me joguei sozinha num quarto cheio de cofres que não ouso abrir, talvez nem saiba mais a senha. Tenho tanto medo do escuro que eu vivo com a luz acesa, nunca consegui compreender o que a penumbra pode me trazer. Aqueles que foram embora encontraram um caminho além da tentativa e erro, eu continuo fazendo promessas desejando que elas não me machuquem novamente.