A todos os homens que abusaram da minha inocência

Diego.

Eu me lembro de como você olhava pra minha irmã. Você achava ela atraente. Olhava pras coxas dela. Pra bunda. Depois você passou a olhar pra mim. Disse que não ligava mais pra minha irmã porque agora eu que estava ficando boa.

Eu tinha 10 anos.


Alberto.

Eu me lembro de quando você falava que gostava de mim quando estávamos sozinhos em algum corredor da escola. Você pegava na minha mão e dizia que éramos namorados. Mas, quando você estava com seus amigos, você me chamava de Dumbo, dizia que eu tinha "orelhas de abano" e que a Roberta era mais bonita. Eu me lembro que os colegas diziam que você me tratava assim porque gostava de mim.

Eu tinha 11 anos.


Samuel.

Eu me lembro de quando a gente namorava. Um dia você me abraçou e suas mãos desceram até minha bunda. Uma mão em cada nádega. E um aperto forte. Na frente de toda a escola. Eu fiquei sem reação. Depois o Miguel me perguntou: "Luísa, por que você deixou o Samuel pegar na sua bunda?". E eu não soube o que dizer.

Eu tinha 12 anos.


Augusto.

Eu me lembro de quando a gente flertava. Eram horas de conversas no MSN. Você dizia que gostava muito de mim, principalmente porque eu não era santinha igual as outras meninas. Depois fazia esse mesmo flerte com a Juliana. E com a Marcela. Eu acreditava que comigo era diferente.

Eu tinha 13 anos.


Gustavo.

Eu me lembro de você ter pedido pra ficar comigo numa festa à fantasia da nossa série. Eu relutei, mas acabei aceitando. Foi bom. Depois você disse que queria continuar ficando comigo. Eu aceitei também. Dias depois, você falou que não me queria mais, sem maiores explicações. Eu chorei, mas fingi que estava tudo bem. No dia seguinte, você espalhou pros amigos que só ficou comigo porque eu era a mais fácil.

Eu tinha 14 anos.


Marlon.

Eu me lembro de quando você me mandou calar a boca. Lembro que eu chorei. E você disse que era só uma brincadeira. E eu continuei confiando em você. Eu me lembro de como você mentiu pra mim. Disse que ficaria do meu lado e não ficou. Você colocou toda a turma contra mim. Eu me lembro de ter acreditado em você. De ter realmente pensado que você me ajudaria. Você traiu minha confiança e me fez ser odiada por todos os meus colegas. Uma colega chegou a colocar no twitter que eu merecia levar um tiro na testa. E a culpa foi sua. Meu professor de Geografia do Ensino Médio.

Eu tinha 15 anos.


Carlos.

Eu me lembro de como você me tratava bem. Conversávamos sobre tudo. Você era meu melhor amigo. Quando eu fiquei solteira, você começou a dar em cima de mim. Um dia você chegou a dizer que tinha vontade de me beijar. Mas, quando eu correspondia ao flerte, você sumia, ficava dias sem me responder. Depois voltava e começava tudo de novo. Falava que queria me ver, que eu precisava ir te visitar, que ficaria muito feliz em me ter com você. Eu ficava confusa porque depois era mais uma semana pra você me responder. Você me manipulava. Um dia eu fui mesmo te visitar. E você nem olhou na minha cara. Semanas depois, você achou que seria legal me mandar mensagem dizendo "rasgado" que me achava "sexy". Você me desrespeitou. Eu tentei explicar por que fiquei tão chateada. Você pediu desculpa pela forma como eu interpretei a situação. Você disse que eu que enxergava coisa onde não tinha, que você nunca se sentiu atraído por mim, que você trata bem todas as mulheres com quem convive e que eu estava te acusando injustamente. Você tentou me manipular de novo. Quase conseguiu. Eu quase acreditei que eu realmente estava louca. Mas, dessa vez, eu fiquei do meu próprio lado. Dessa vez, eu acreditei em mim. Dessa vez, eu me valorizei.

Eu tenho 20 anos.