“Lady Bird” e a beleza do banal

Saoirse Ronan e Greta Gerwig (duas pessoas de nomes bem difíceis) nos bastidores de Lady Bird, uma autobiografia sobre a adolescência de Greta

Eu poderia citar uma enormidade de filmes sobre amadurecimento masculino. “Boyhood”, “As Vantagens de Ser Invisível”, “As Melhores Coisas do Mundo” e outros milhares que provavelmente são baseados em algum livro do John Green.

Sempre acontece de aparecer aquele elemento que te põe no centro da narrativa, algum fato nostálgico da sua pré-adolescência como a narrativa do primeiro beijo ou alguma música do Outkast, mas jamais nenhum se conectou tanto com minha vivência como “Lady Bird”.

Eu entendi que não adiantava colocar para tocar na trilha sonora a playlist “Top 50 músicas dos anos 2000”, nenhum desses filmes falava sobre a essência em ser uma menina normal porque, até então, esse banal não era visto com beleza. A banalidade de uma briga entre filha e mãe no provador de uma loja, da risada com a melhor amiga depois de comer tudo que se tem na geladeira ou na suspensão escolar depois de fazer merda.

Ser uma menina normal é isso: encontrar pequenos resquícios de beleza no ordinário. Se sentir ansiosa pro dia de uma festa, chegar na segunda de manhã na sala de aula e rir sobre a festa. Sempre passar com 63 em matemática, mas às vezes matar a catequese para tomar sorvete com algum menino que você só vai beijar uma vez. É suspirar sobre isso tudo e perceber como você é feliz na sua bizarra normalidade.

Fico feliz que a Greta Gerwig esperou 15 anos para lançar um filme sobre a sua adolescência, por isso tive a oportunidade de vê-lo aos meus 23, com a possibilidade de enxergar com tremendo afeto o mesmo período da minha vida.

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