Não é você, sou eu

Olá a você que pode ou não ter percebido que eu estou a fim. Caso a resposta seja não, às vezes eu não sou muito clara, mas aí vai: eu estou a fim de você. Ontem comentei com amigos sobre eu ter desaprendido a chorar, e como isso é prejudicial porque deixa os sentimentos presos dentro de mim. Sobre paixões, eu gostaria que fosse o contrário, que eu pudesse usar essa paixão pra amar a mim mesma e não a você. Quer dizer, relaxa, eu não te amo.

Meus sentimentos românticos são como um lago. Um poço de água parada que não tem pra onde escorrer. Gostaria apenas de achar um rio, onde eu pudesse despejar as minhas águas e elas pudessem correr livremente, e se renovarem sempre ao invés de ficar na mesma. Como esse rio não existe, minhas águas acabam escoando em qualquer esgoto e é aí que você aparece, sorry.

Posso ter te conhecido na faculdade, em um almoço de família onde você é o filho gato de uma amiga da minha mãe, você pode surgir como aquele vizinho que eu sempre encontro na parada de ônibus e algum dia, por milagre, tomei coragem pra puxar um papo. Enfim, você pode ser literalmente qualquer um e esse é o ponto.

Mas, desde que comecei a te olhar diferente, você deixou de ser só mais um e agora é especial. Agora meus dias incluem visitas ocasionais no seu perfil de Facebook, e no Twitter, se você tiver um. Lendo tudo o que tu postas, eu vou te conhecendo melhor. Imaginando sobre o que poderíamos conversar, e em quais lugares poderíamos ir juntos. Vejo quem mais comenta teus posts e stalkeio a pessoa também, inclusive, se pá, stalkeio teus pais. Pra no outro dia te ver na “vida real” e não poder perguntar como foi a viagem de vocês pra visitar a avó que mora no Sul.

Agora que você deixou de ser bonitinho e passou a ser lindo, um tiro no meu ❤, eu também visito seu Instagram, e fico frustrada quando não tem fotos novas. Dessa forma, eu passo pro Instagram dos teus amigos, te procurando lá, e procurando também qualquer indício de namoro, ainda que eu saiba que, mesmo que você seja solteiro, nós dois nunca vamos ficar.

Dos teus posts sobre a faculdade, eu começo a me interessar pelo teu trabalho. Procuro teu lattes, teu LinkedIn (!!!), teus artigos. Jogo teu nome completo no Google, leio aquele teu blog desatualizado desde 2011 e esboço um sorriso idiota ao ver tuas fotos antigas. Problematizo algumas coisas e penso “ele mudou, eu sei que ele mudou”.

Não sei se você nota, mas presto atenção a tudo que falam de ti e estou bem atenta se alguém mais tem crush em você (sempre tem). Vez ou outra até mando uma indireta, mas depois disfarço. Isso tudo se repete por algum tempo, até que eu simplesmente enjoo. Veja bem, não é você, sou eu. Quando um rio não aceita minhas águas, eu parto pra outro, E outro, e outro. Na verdade, tem um carinha que eu conheci esses dias que…

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