De estudante a desempregada: um olhar para o fim da faculdade sob novas perspectivas

Eu me formei em Comunicação Social no final de agosto desse ano. Dois meses antes — precisamente um dia após a entrega do meu Trabalho de Conclusão de Curso — fui informada na agência onde estagiava de que não poderia ser contratada após a formatura, devido à recente perda de contas importantes motivada pela famigerada crise econômica. Para descrever com o máximo de precisão possível meu sentimento naquele momento, tomo emprestada a ideia de Charles Cosac que, ao fechar as portas da editora Cosac Naify no final de 2015, evocou o título da célebre canção de Maysa:

Meu mundo caiu.

E não, não foi só porque eu estava sendo dispensada do meu estágio. Era porque o meu TCC estava entregue. Era porque a faculdade à qual me dediquei durante 4 anos estava, praticamente, terminada.

Era porque, apenas uma semana antes da notícia de que passaria de estudante e estagiária a desempregada dali a poucas semanas, eu havia passado por um surto de ansiedade. Esse surto me fez desistir de ser oradora na minha cerimônia de colação de grau. O acúmulo de tarefas na reta final do curso foi, sim, um fator determinante pra que isso acontecesse. Mas era mais que isso: eu ainda não tinha certeza de qual seria o meu rumo profissional — o que não significava que queria abdicar de tudo o que estava fazendo, assim, de uma hora pra outra.

Os primeiros meses depois desse encerramento geral de atividades foram alguns dos mais difíceis da minha vida. Eu estava acostumada a lidar com a tristeza, mas não com a apatia. Nunca as coisas pareceram fazer tão pouco sentido. Em junho, me sentei na beirada de um poço que foi me puxando pra dentro com a força da gravidade.

Os dias foram passando. Eu estava com uma viagem planejada para o começo de agosto. Quando cheguei ao meu destino, não senti sequer uma sombra da emoção que havia experimentado em outras viagens que tive a feliz oportunidade de fazer em ocasiões anteriores. Logo eu, que amo ver o mundo e que amo viajar. Logo eu, que pretendo viajar pelo resto da minha vida. E foi aí que eu vi que tinha algo definitivamente errado.

Hoje, passadas pouco mais de duas semanas da formatura e alguns currículos enviados depois, me vi arrancada do torpor e do desnorteamento pela primeira vez. Comecei a pesquisar sobre a trajetória profissional de pessoas que me inspiram de verdade. E não estou falando de gente famosa e cultuada no seu meio. Nada disso. Estou falando daquele conhecido, daquele amigo de amigo que é foda naquilo que faz. E, pra mim, foi milhares de vezes mais inspirador refletir em cima das pequenas vitórias dos que estão pertinho do que das celebridades inatingíveis que nos mergulham em um ideal que está (ainda) a muitos quilômetros de distância. Essa nova abordagem tornou minhas primeiras metas menores e tangíveis e fez tudo parece mais real e menos megalomania midiática. Uma centelha de luz se acendeu.

Dizem que os jovens de hoje são imediatistas demais e creio que fui pega nessa armadilha geracional. Pode parecer meio óbvio, mas a esmagadora maioria das pessoas não começou do topo — como pode, às vezes, parecer. Leva apenas um instante olhar pra quem está onde você gostaria e diminuir a sua capacidade porque você ainda não chegou lá. Só que ser bom em algo dá trabalho e leva muito, muito tempo. Existe um percurso longo por trás de cada conquista — e estas são, por si sós, a continuação desse mesmo percurso. E é por ser difícil que a concretização de um sonho se torna sólida — descobri que ninguém é catapultado no ar e fica pairando sem ter nada por baixo.

Continuo sem saber dizer ao certo por que cursei Publicidade e Propaganda. Pode ser que tenha sido uma decisão guiada mais pela eliminatória de possibilidades do que pela esperança de um tiro certeiro. Pode ser. Afinal, eu prestei vestibular aos 16 anos. Mas, no fundo, acho que não errei o alvo em tantos metros.

Passado o choque do final abrupto e tão marcante de um ciclo, consegui ouvir e colocar em ordem algumas das coisas que já há um tempo a minha tímida bússola interior vem tentando me dizer. E eu acho que essa bússola que a gente tem por dentro funciona em diferentes ritmos desde que a gente nasce — ela só rodopia demais de vez em quando. O importante é sentir em qual quadrante o ponteiro se demora mais e por onde ele oscila com mais força (porque o bom mesmo é que ele nunca esteja completamente parado). Eis aqui um primeiro e decisivo passo em direção a um novo objetivo.

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