Otavio Sousa e o efeito borboleta

Luís Felipe
Nov 6 · 4 min read

Lembro como se fosse hoje, apesar de já ter se passado 8 anos, o dia em que minha ex namorada chegou em casa com o disco AGRIDOCE (projeto paralelo da cantora Pitty com o guitarrista Martin Mendonça), para me dar de presente de natal. Fiquei fascinado. Tudo naquele disco me prendia: Uma Pitty que eu não estava acostumado a ouvir; Martin, agora também, no vocal; um trabalho tão rústico e ao mesmo tempo de uma delicadeza sem fim.

Naquela euforia de ter um disco novo para desbravar, algo conseguiu prender a minha atenção TANTO QUANTO o som: as fotografias do encarte. Diferente de tudo o que eu estava acostumado a ver, o encarte era formado por muitas fotos, mas não era só isso, cada fotografia, na sua essência e beleza, me levavam pra dentro daquele lugar incrível que mais tarde descobri ser uma casa na Serra da Cantareira.

Eu tinha 20 anos de idade e estava completamente perdido em relação ao que eu gostaria de fazer profissionalmente. Ao ver as fotos [do encarte], lembro de achar muito louca essa capacidade de alguém conseguir transmitir tantas emoções através da fotografia, assim como na música e na arte de modo geral. Foi como se naquele dia eu tivesse entendido de fato o poder da fotografia. Voilà!
Quero ser fotógrafo!

Pesquisei pelo fotógrafo, descobri que se chamava Otavio Sousa. Dei uma boa vasculhada nos trabalhos dele, dei um google, achei blog, fotolog, e em tudo o que eu encontrava, eu via muita sensibilidade, muita emoção, achei tudo de uma força muito grande, que mexeu muito comigo de uma forma muito incomum.

Juntei minha grana, comprei minha primeira “filha”, uma Canon T3i (que se aposentou oficialmente no mês passado, dando espaço pra minha Canon 6D, que é o meu novo xodó), fiz aulas de fotografia na faculdade e comecei a fotografar. Em cada trabalho que eu realizava, meu objetivo sempre era tentar fazer com que o cliente olhasse para as minhas fotos, com o mesmo brilho nos olhos que eu fiquei quando vi as fotos de Agridoce pela primeira vez.

Os anos se passaram, milhares de clicks foram feitos, mas eu ainda sentia a necessidade de me aprofundar ainda mais na fotografia. Iniciei um curso super bacana, que, com certeza abriu muito a minha cabeça e expandiu o meu olhar. Entre uma aula e outra, fiquei sabendo que o trabalho de conclusão do curso era falar sobre um fotógrafo que eu admire/me inspire fazer uma releitura de algum trabalho do mesmo. Na hora fui levado para 2011, no momento exato em que ganhei meu disco e me deparei com todas aquelas fotos que modificaram completamente a minha existência e me transformaram no que eu hoje sou.

Procurei o Otavio na internet, na esperança de conseguir trocar pelo menos algumas mensagens, pedir algumas informações sobre a sua trajetória profissional, poder agradecer brevemente pela importância dele na minha vida, tentando não parecer um maluco que chega do nada e diz: “oi, 8 anos atrás conheci seu trabalho e através dele também passei a me conhecer”, mas o que eu obtive foi uma experiência super deliciosa: Otávio, foi extremamente gentil e solicito, me passou seu telefone e tivemos 45 minutos de uma conversa super gostosa e enriquecedora, como se estivéssemos numa mesa de bar, falando sobre a vida. Eu ainda quero muito ser amigo desse cara, e, de fato, tomar umas cervejas com ele, que ser humano foda, senhoras e senhores!

Foi uma das paradas mais “black mirror” que eu já vivi. Muito louco olhar pra traz e perceber que um trabalho tão bonito feito pelo Otavio Sousa, teve uma influência tão grande na minha vida e modificou completamente o meu ser. Mais louco ainda ter tido a sorte de ter compartilhado tudo isso com ele [Otávio]. Nossas digitais não se apagam das vidas que tocamos.

O que teria sido de mim se não tivesse ganhado aquele disco e me deparado com aquelas fotos? Onde será que eu estaria hoje? Quem estaria aqui agora? Nunca saberemos. Só posso agradecer ao universo, ao Otávio e ao efeito borboleta que me trouxeram até aqui.

(Texto 100% escrito ao som de Agridoce)

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