Clássico europeu?

Na quarta-feira passada (21), Paris Saint-Germain e Real Madrid entraram em campo, no Parc des Princes, pela UEFA Champions League. A partida foi válida pela terceira rodada da fase de grupos. Foi um jogo truncado, com poucas chances de perigo. Mesmo com os protagonistas em campo — Cristiano Ronaldo do lado merengue e Zlatan Ibrahimovic do lado francês, o jogo teve pouca desenvoltura ofensiva. Os excelentes meio-campistas dos dois times proporcionaram ótimas disputas de bola e jogadas quase perfeitas. Não foi um jogo ruim, apesar de poucas oportunidades para gol.

À parte disso, me chamou a atenção o modo como o narrador da Bandeirantes, Téo José, e seu parceiro comentarista, Neto, se referiam ao jogo. Segundo eles, um clássico europeu. Nada contra os dois, que certamente obedeceram ordens superiores. Respeito ambos e os acho ótimos apresentadores. O problema é o que foi dito.

Como assim, clássico? Os clubes só se enfrentaram oficialmente quatro vezes durante toda a história. Duas vezes na temporada 1993/94, pela Cup Winners Cup, e outras duas na temporada anterior, com o PSG eliminando os madrilenhos nas duas ocasiões. Além disso, mais alguns amistosos caracterizam o confronto.

Não dá. Eu simplesmente não consigo definir quatro confrontos em vinte anos como um clássico. Dois times fortes? Claro! Os melhores dos seus países? Provavelmente!

Baita jogo.

Não tem um passado significante, que crie conflitos entre as torcidas. Algo que motive os torcedores de um time a odiar o outro e vice-versa, ou que ao menos os faça torcer o nariz quando comentado sobre o time adversário. Neste caso, não são rivais. Faltam referências históricas. Simplesmente não tem relevância! Os clubes somente voltaram a se enfrentar vinte anos depois! Talvez daqui há dez anos, dependendo dos sorteios da Champions League e da permanência do xeque Nasser Al-Khelaifi, que banca o time de Paris, o confronto possa ter algum significado real. Os times são, de momento, somente rivais de grupo.

Essa mesma linha de pensamento serve para jogos como Manchester City e Bayern de Munique, anunciado pela mídia como clássico no Velho Continente. Isso não é um clássico. É um jogo importante, mas clássico é outro nível.

Exemplos são Liverpool e Milan. Duas vezes decidindo finais do campeonato europeu principal: 2005 e 2007, com o time inglês levantando o caneco na primeira ocasião e os milanistas na segunda.

Barcelona e Chelsea também alimentam uma rivalidade, sendo, no total, dez confrontos. O time de Londres tem vantagem em vitórias contra os culés, que não conseguem vencer os Blues desde o jogo de volta do primeiro confronto, na Champions League de 1999/2000. Além disso, o incidente de 2009 foi definitivo para o desenvolvimento da rivalidade. Sem esquecer, é claro, de 2012, em que o Chelsea se vingou do assalto em Stamford Bridge, como é definido pela imprensa inglesa.

Outro exemplo é Arsenal e Bayern de Munique, que volta e meia se enfrentam, com jogos extremamente emocionantes e imprevisíveis.

Real Madrid e Benfica, com o time português quebrando a sequência de cinco títulos conquistados pelo time de Madrid e instigando os espanhóis — que naturalmente não se dão bem com portugueses — a terem ainda mais motivos para odiá-los.

São dezenas de combinações que oferecem mais histórico que PSG e Real Madrid. Em comparação aos clássicos reais, o jogo de hoje não foi nada além de um confronto entre os times de melhor momento em seus respectivos campeonatos.

Um jogo importante? Com certeza. Clássico? Nunca, mas a mídia e o dinheiro falam mais alto. Para os meios de comunicação, PSG e Manchester City caracterizariam um dos maiores clássicos da história.