Será que o tempo esquece?
Uma reflexão sobre a história e a linha do tempo da vida humana na Terra

Sabe, às vezes eu fico me perguntando: será que vamos, daqui a 20 anos, lembrar de quão foda era Mylo Xyloto, álbum do Coldplay?
Vamos, ao menos, lembrar de Coldplay? Escutaremos, daqui a 20 anos, a voz de Chris Martin, vocalista da banda? Ou esqueceremos assim que a banda não estiver mais em atividade?
O que está em jogo aqui não é Coldplay. O que está em jogo é a história que é construída diariamente. Nos cinemas, nas televisões, no futebol, na moda, enfim, em tudo que seja construído através do tempo pela humanidade.
Não sei se você acha isso, mas eu, que escrevo esse texto, tenho a impressão que a história que escrevemos hoje não conta tanto quanto a história que foi feita no passado.
Por isso a citação ao Coldplay.
Substitua por Pink Floyd, por exemplo: até hoje encontramos pessoas ouvindo Another Brick in The Wall. Não com a mesma intensidade do que quando Pink Floyd estava em seu auge, é verdade, mas mesmo assim é muito comum lembrarmos de Roger Waters.
Hoje, muita gente ainda ouve Pink Floyd. Muitos consideram um clássico, muitos só ouvem por associação, por status (“minha mãe disse que é bom, que isso era música de verdade”, por exemplo), mas mesmo assim estão ouvindo. Muitas pessoas achariam um absurdo comparar Pink Floyd com Coldplay. Isso provavelmente adequado a um contexto mundial, não somente ao brasileiro.
O saudosismo realmente existe em tudo? É uma das questões que mais me intrigam. Eu gosto muito de pensar no nosso futuro (da humanidade), sempre pensei um palmo à frente dos acontecimentos.
Será que sempre teremos a impressão de que tudo que foi construído antes era melhor e o que é feito hoje não passa de mera porcaria? De coisas descartáveis que não chegam aos pés do que foi feito no passado? Eu realmente espero que não. A vida é muito curta para desprezarmos o que temos hoje!
Eu posso estar errado. Talvez existiam pessoas, nos anos 80, que tinham a mesma linha de pensamento que eu quando Pink Floyd estava à tona nas rádios mundiais e erraram feio atribuindo um “não, Beatles era melhor” quando ouviam a pergunta:
Será que em 2016 saberão quem foi Roger Waters?
É a minha vez de fazer a pergunta:
Será que saberão quem foi Chris Martin em 2036?
Pensando nisso, com os feedbacks que tive de leitores do texto, cheguei a uma possível justificativa: o overflow de informação.
Num mundo globalizado, em que a Internet e todos os outros meios te sobrecarregam de novos acontecimentos todo o momento, fica difícil de guardar as coisas.
Será que estamos vivendo um momento em que temos muita informação e pouco valor? Tudo que há demais desvaloriza ou passa despercebido, correto?
Chegou a hora de darmos um “ei, calma aí” no fluxo de informações diárias mundiais e focarmos no que realmente importa? Fica o questionamento para a atual e às futuras gerações.