A diferença entre o sucesso e o “rage”

Sou jornalista, tenho um site de entretenimento — que logo logo vai fazer muito sucesso, podem esperar, rs — e, por isso, sempre li muita coisa em sites similares. Uma prática interessante para fãs e profissionais da área do entretenimento e da cultura pop é dar um pouco de atenção aos comentários. Isso pode ser um termômetro interessante que ajuda a medir o comportamento e a aceitação do público, além de ser um espaço muito bom para debates. Na verdade, seria.

Eis que, durante uma destas excursões pelos comentários (mais especificamente em uma análise do Omelete sobre um episódio da sexta temporada de The Walking Dead, clique aqui), uma onda de ódio e comentários ofensivos surgiu contra o autor do texto — Thiago Romariz — e contra o próprio site. Me impressionou o teor dos comentários: uma mistura de paixão doentia com a série e um rancor descontrolado por ver uma opinião divergente. E isto não é exclusividade desse post. A maior parte das notícias, análises e vídeos do Omelete está sendo tomada por ofensas.

Olha eu ali no meio tentando argumentar, rs.

No dia seguinte, assisti ao vídeo do Canal do Pirula (clique aqui) sobre a diferença entre conteúdo e forma. E isso despertou quase que imediatamente uma ideia que não havia passado pela minha cabeça quando tentava entender o que motivava os famosos “haters”: o incômodo que eles têm é exatamente com a franqueza com a qual determinados veículos tratam o “conteúdo” depois de utilizar uma “forma” atraente de apresentá-la. Explico:

Cultura pop é uma área MUITO interessante, trabalhar com isso é extremamente gratificante porque é algo que esteve presente no seu cotidiano desde sempre, e agora simplesmente paga o seu salário. A “forma” é a ideia de que este seria um emprego dos sonhos, que trabalhar com o que te diverte é um meio de eternizar esta diversão até quando se está fazendo algo sério. Porém, alguns leitores aparentemente ficam fascinados por esse nicho e acabam confundindo admiração com posse. O “conteúdo” tem que ser restrito ao que eles querem, caso contrário são ruins.

E isso explica claramente o motivo de alguns escreverem textões como matérias nos veículos, e tantos outros apenas como comentários; o porquê de alguns terem sucesso e outros fracassarem até como meros opinadores. Apesar de estarem no mesmo barco, quem mais tem discernimento e capacidade crítica acaba tendo vantagem, e isso é muito óbvio lendo os comentários não apenas do Omelete, mas de qualquer portal de notícias online.

Tentei argumentar novamente. Alguém entendeu o que eu disse, pelo menos.

“Rage” e a ignorância seletiva

Mantendo o caso em estudo, não consigo entender como uma pessoa consegue se revoltar tanto com um texto sobre uma série de TV, filme ou qualquer produto cultural. Ok, são gostos , opiniões, cada um tem a sua e eu tenho que respeitar. E, pessoalmente, eu respeito; só não dou muita trela. Eu também tenho os meus gostos, minhas paixões: adoro futebol e os jogos do meu time são verdadeiras guerras. Mas não vou xingar até a 13ª geração do narrador porque ele falou que meu time está ruim. Não vou comprar briga com outros espectadores que concordaram com ele. Não ficarei horas tendo que me explicar por eventuais absurdos que tenha falado. Apenas vou ouvir, aceitar se convir ou deixar para lá se não concordar. E assim sigo feliz por minhas duas décadas e pouco de vida.

O clima fica tão tenso na área de comentários que os discursos começam a perder sentido com o passar do tempo. Ao mesmo tempo que chamam o site de vendido e tendencioso, xingam o autor por ele ser ignorante e por não entender nada. Péra. Como o site é vendido se a opinião exposta no texto foi negativa? Se fosse uma opinião positiva o site continuaria sendo vendido mas o autor seria extremamente perspicaz por concordar comigo? Ou ele só estaria sendo vendido e continuaria sendo ignorante? Mas se a opinião fosse positiva o “hater” continuaria achando o site vendido? Pouca coisa faz sentido nesse ambiente que já está se tornando um “submundo” na internet. E é aí que eu queria chegar.

Discernimento leva ao sucesso

Em vez de se afundar num submundo de ofensas e discursos enormes baseados em revolta e discordância, teve gente que optou por deixar paixões mais ou menos de lado e apostar no julgamento do “conteúdo”, e não da “forma”. Neste grupo podemos incluir o próprio Omelete, Jovem Nerd, Cinema com Rapadura, Jurassicast, Judão, Bacanudo, Uber7 e uma infinidade de YouTubers e sites menores que prezam pela análise em si, e não pelo fato de as opiniões terem sido X ou Y.

Isso basicamente se aprende ao estudar Jornalismo. É impossível manter-se 100% imparcial, mas devemos tentar chegar perto disso. E os jornalistas que hoje têm sucesso na área do entretenimento conseguem traçar esse caminho muito bem.

Enquanto alguns desocupados xingam o Omelete de vendido, nós sabemos que eles procuram manter aquele “emprego dos sonhos”, no qual sepode falar “o que quiser” sobre todos os assuntos, dosando com os interesses comerciais dos anunciantes. Pense bem: estes mesmos desocupados estarão na Comic Con Experience daqui a pouco, em São Paulo, achando lindos e maravilhosos os painéis de Netflix, Marvel, etc. De onde vocês acham que vem o dinheiro para montar um festival desse, queridões?

Voltando ao ponto…

Antes que este texto vire uma defesa do Omelete contra haters — nem tenho esta pretensão — , o que quero dizer é que tem sucesso quem trabalha em prol de um julgamento crítico mesmo dos assuntos que mais simpatiza. Gosta? Beleza. Mas saiba dizer quando está ruim. Não acha ruim? Que beleza também, continue assistindo e lendo. Acha ruim? Aceite o fato que tem gente que gosta (eu mesmo adorei a primeira temporada de ‘Revenge’. Fuck me, right?).

Quanto aos comentaristas fervorosos, que xingam e estão loucos por confusão na internet (muito adulto…), um conselho: não sejam estas pessoas.