O que significa a capa do NYT ser Dilma e não o Panama Papers

Dentro do ambiente jornalístico, tudo é um pouco simbólico. A capa do jornal, a maior matéria da edição, o editorial — tudo isso é circundado de grande simbolismo para a sociedade, principalmente quando se trata de jornais de renome.

Pois é, estamos tratando do New York Times. Ele pode ser considerado o maior jornal do mundo, não necessariamente em vendagem, mas em representatividade editorial — o que o NYT fala tem que ser levado em conta.

Capa do New York Times deste 4 de abril

O que significa então, a capa da edição desta segunda-feira (4) ser uma extensa matéria sobre a rede de corrupção do governo brasileiro? What does it means Dilma ter “preferência” pela capa, mesmo com o maior vazamento de documentos da história — que escancara off-shores de grandes figuras — tendo ocorrido ontem?

Dilma experimentou a maior montanha-russa da história política do Brasil. Em 2012, ela foi capa de uma edição histórica da revista Forbes, que apontava as maiores figuras femininas do mundo.

Atualmente, seu governo vende cargos de confiança no executivo para sobreviver ao processo de impeachment. A história de que não existe crime de responsabilidade é exaurida por pedaladas fiscais 35 vezes maiores que as cometidas por seus antecessores. A estrutura estatal chegou a um tamanho que se tornou completamente inviável.

O gráfico autoexplicativo mostra bem a quantidade e o tamanho das pedaladas nos últimos 22 anos (Divulgação: Aos Fatos)

E, se conseguir vencer a batalha do impeachment, Dilma fará um não-governo de mais dois anos completamente cercada por gente que ela não conhece, que ela não confia e que só estará ali para sugar o que nem ela tem mais a oferecer.

O futuro político brasileiro é sombrio, nebuloso e incerto em qualquer caminho que se trasse.