Qual é a trama política das próximas semanas?

Entre governistas e opositores, qual serão as estratégias?

A abertura do impeachment no Senado Federal, cumprindo todos os prazos mínimos, deve durar duas semanas e meia a três semanas completas. Dada a pressão política que toma o cenário brasileiro no momento, existe a real chance da panela estourar antes da primeira semana de maio.

É preciso, antes de tudo, entender como cada força política está jogando seu jogo no momento.

Governo

Ainda não houve nenhuma manifestação política por parte do governo para/com os senadores. Dilma e Lula, abatidos, parecem muito mais lidar com a derrota política que insistir em mais uma investida em negociatas.

Isso se deve ao fato de ser notório que, de antemão, a oposição atualmente conta com mais dos 41 votos necessários para abrir o impedimento. Se já foi falho o trabalho de angariar indecisos, imagina desmotivar oposicionistas?

Para isso, exergo dois caminhos. O início de uma campanha por convocação de eleições presidenciais ao fim do ano e a desconstrução da imagem de Michel Temer.

O pleito para presidente seria, em tese, algo mais manobrável com diversos quadros partidários que almejam uma corrida eleitoral por agora — entre eles estão Marina Silva, Ciro Gomes, entre outros.

Uma desconstrução de Temer aumentaria sua já baixa aceitação popular — o vice tem um índice de rejeição tão baixo quanto o da presidente Dilma, e é muito provável que não consiga reverter. A pressão popular poderia resultar na queda do peemedebista, o que implicaria em novas eleições.

Oposição

Temer jantou, nessa segunda (18), com Aécio Neves e Armínio Fraga (VEJA). Sinal? O aspirante à presidência flerta com todas as hipóteses de um time ministerial.

Sua negociação com Serra, que faria parte de um outro time administrativo hipotético, motivou até uma esperançosa entrevista do senador ao Estadão.

Essas investidas do vice devem aumentar ainda mais a exposta rachadura dentro do quadro nacional peessedebista, que nunca se recuperou da derrota de 2014.

Não seria estranho, inclusive, se Aécio saísse do partido tucano no intuito de ganhar espaço político para 2018 — ainda assim formando a base dessa coalizão.

Os próximos passos de Eduardo Cunha são irrestreáveis no momento. O presidente da Câmara afirmou que só irá normalizar o trabalho legislativo com o afastamento da presidente Dilma — estrangulando sem dó o que resta de governo.