Veto presidencial impede a melhoria da educação escolar indígena no Brasil
Erika Yamada
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Luis Roberto de Paula Prezada Erika M Yamada : tanto os eu como a segunda versão do artigo do Luis Donisete Benzi Grupioni são muito mais razoáveis em relação ao veto, situando o debate de maneira menos figadal (as primeiras reações ao veto foram pouco técnicas e, por isso mesmo, profundamente ideológicas). Entretanto, lamento que em ambos os artigos não tenham aparecido as seríssimas, diferenciadas e democráticas experiências em cursos no ensino superior indígena em mais de 20 universidades federais brasileiras desde 2006. Não é de todo surpreendente, portanto, você citar em seu artigo apenas o Projeto Iboarebu — de maneira justa, é claro — e esquecer por completo este conjunto de experiências de ensino superior indígena que ocorrem por “por dentro do sistema”, digamos assim. Recomendo que, como relatora da ONU, percorra as universidades federais onde ocorrem estas experiências — a começar pela UFMG, experiência das mais antigas, e da qual pude participar, com orgulho, por quase 4 anos — e converse profundamente com os professores, monitores, gestores e alunos indígenas envolvidos. Ouvirá muitos de problemas, é claro: estamos falando de ensino público no Brasil! Mas, acredite, descobrirá também muitas virtudes que, em síntese, podem ser definidas como um processo de consolidação da implementação da educação escolar diferenciada de maneira radical no país desde pelo menos 2006, no qual e pelo qual se articula ensino superior e ensino fundamental indígenas nas aldeias, via a formação de professores indígenas, “como nunca antes visto na história deste país”. Há ainda outras tantas modalidades de inserção dos povos indígenas no ensino superior no Brasil, como cotas na pós-graduação ou em cursos de graduação de direito, medicina, ciências sociais, enfermagem etc. Noto que aqui sim, nestas outras modalidades que não as das licenciaturas indígenas, há grandes problemas em se implementar a educação escolar diferenciada, ou seja, bancar processos próprios de ensino e aprendizagem e uso da língua materna. Desafio tremendo e complexo num país com mais de 300 etnias e 180 línguas indígenas abraços Luis Roberto

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