O dilema do PROS cearense

Luís-Sérgio Santos
JORNALISTA

Veja o tamanho do dilema desse grupo político liderado pelo ex-governador Cid Gomes. Todos os filiados ao PROS, um partido de aluguel, não tem ascendência sobre a cúpula do partido, uma ridícula composição familiar. Isso é motivo de enorme fragilidade do grupo porque, a rigor, são todos reféns da executiva nacional do partido. E a executiva nacional do partido é uma banca de negócios. O líder político que conduziu seu grupo a esse risco extremo tinha tanta certeza disso que acabou lançando e turbinando a candidatura de Camilo Santana, do PT, à sua sucessão.

O PROS é uma dessas excrescências da política nacional. Equivale ao Prona, do polêmico Enéas. Mas é um partido dentro da legalidade com o direito sagrado de acesso ao Fundo Partidário, dinheiro nosso, que vem do orçamento do governo federal. Uma parte desse Fundo é distribuída por igual entre todos os partidos, e uma outra parte leva em conta o número de representantes que cada partido elegeu: quanto mais eleitos, mais dinheiro pinga na conta do partido. É uma grana besta. Dinheiro muito que agora foi aumentado pela presidente Dilma. O dinheiro do fundo partidário é “dinheiro a fundo perdido”, expressão muito comum nos anos 80 quando se dava empréstimos públicos sem expectativa de retorno. Pois o dinheiro a fundo perdido continua a pleno vapor através do fundo partidário.

O PROS deve ser um partido de transição do grupo político do Ceará a menos que a executiva nacional abra mão do controle do partido, algo improvável se avaliarmos a gênese do PROS como partido menor, sem expressão. O grupo político do Ceará é que tanta dar o mínimo de dignidade ao partido que tem, na Câmara, um líder que é uma revelação política, o deputado Domingos Neto.

No plano nacional, tirando o grupo do Ceará, o partido é um zero à esquerda. Daí acho que esse erro estratégico dos líderes políticos que levaram seu grupo ao PROS deve ser corrigida rapidamente, pelo menos antes do prazo legal de um ano para as eleições de 20116. Ainda mais porque os diretórios são todos comissões provisórias o que deixa todo mundo nas mãos dos donos do partido.

Com todos os filiados tão vulneráveis assim dá para confiar na executiva nacional do partido? Um partido sem doutrina, sem programa coerente, sem uma ideologia? Desembarcar dessa barca furada deve estar nos planos dos líderes do grupo político cearense. A questão é, ir para onde?

A aventura continua.

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