O que está acontecendo com Marilena Chauí ?

Por Luís-Sérgio Santos

Marilena Chauí é uma intelectual respeitável, dona de uma farta e rica produção acadêmica que inclui grandes traduções, como Baruch de Espinosa. É autora de um best-seller dos 1980, o livrinho de bolso da “Coleção Primeiros Passos” da Editora Brasiliense, “O que é Ideologia”. Era uma “ídola” do pensamento acadêmico nacional, filósofa celebrada e com enorme transito na classe média. Mas há muito Marilena — com seu salário médio mensal de R$ 23.000,00, somente na USP — se afastou da classe média, onde está muito bem inserida. Em 2013 buscou se diferenciar de sua classe quando disse, em um evento público do PT, que odeia a classe média brasileira: “uma classe fascista, violenta e ignorante”.

Agora, a filósofa que fez a cabeça de várias gerações, causa nova polêmica ao defender uma fantástica teoria conspiratória, daqueles que nas quais poucos roteiristas do Netflix se aventuram.

Em um vídeo disponível no YouTube <https://www.youtube.com/watch?v=AQXw8B0lN2c>, Marilena diz, em uma fala pausada e convicta:

“A operação Lava jato não tem nada a ver coma moralização da Petrobrás. A Operação Lava-Jato é pra tirar de nós o pré-sal. Por que que isso ficou claro pra mim? Por que Sérgio Moro foi treinado, nos Estados Unidos, pelo FBI para realizar essa operação. E nós sabemos que as chamadas seis irmãs do Petróleo lutaram pelo pré-sal desde a descoberta dele e os governos petistas e em particular a presidente Dilma fizeram pé firme com relação ao pré-sal como soberania nacional. Ele [Sérgio Moro] recebeu um treinamento que é característico do que o FBI fez no macarthismo, e fez depois de 11 de setembro que é a intimidação e a delação. Por que esse tipo de comportamento? Por que as chamadas seis irmãs não são brincadeira de criança. Nós sabemos que eles desestabilizaram o Oriente Médio por causa do petróleo, desestabilizaram os bálcãs por causa do petróleo e dos minérios, desestabilizaram a Venezuela e evidentemente o grande alvo era desestabilizar o Brasil por causa do pré-sal. então, a Operação Lava Jato é, vamos dizer, o prelúdio da grande sinfonia de destruição da soberania brasileira para o século XXI e XXII. Nós não podemos permitir que isso aconteça e no entanto o que é admirável, extraordinário, é que com um mês de governo provisório, o Temer e o serra vão passar o pré-sal privatizado para as empresas norte-americanas. Eles estão destruindo a economia brasileira, eles estão destruindo a soberania brasileira e eles estão comprometendo as gerações futuras de brasileiros. Não é uma operação comercial. é uma operação de geopolítica , é uma operação de (hããã) destruição da construção de uma República e de uma democracia, e é a tentativa de destruir o lugar que o Brasil construiu como líder dos BRICS, portanto, como líder das economias emergentes.”

Marilena continua sua peroração por mais 90 segundos, mas o trecho acima já é suficiente para mostrar a nova tese de nossa festejada filósofa doas anos 1980.

Quando vi a primeira referência a essa tese de Chauí imaginei que fosse uma pegadinha das redes sociais. A mesma reação que tive quando vi a primeira foto de Nestor Cerveró, imaginei que fosse um photoshop inspirado em salvador Dalí. Mas não, Marilena está falando sério e, me parece, está falando sem ser ameaçada, fala espontaneamente.

Se Marilena está coberta de razão como ficam as personagens do maior escândalo de corrupção do mundo desde a invenção da escrita? Como fica o Ministério Público? E a Polícia Federal?

A corrupção que ganhou dimensão estelar na gestão petista criou as condições objetivas para o surgimento da Lava Jato. Sem corrupção na escala implantada a partir do governo Lula não haveria Lava Jato. Portanto, as condições objetivos para o lançamento do ministro Sérgio Moro como paladino da Justiça só podem ter sido criadas também pelo FBI. Ou, quem sabe, pela CIA já que se trata de questão de inteligência e não de investigação.

A resposta é óbvia: é tudo invenção do FBI. Corruptos e corruptores são todos agentes do FBI mo projeto de desestabilizar o Brasil e entregar o pré-sal para as onipresentes “seis irmãs”.

O meu esforço para concordar com Marilena Chauí, em nome da sua memória anterior, dos bons tempos da Editora Brasilense e dos Encontros Radicais, em São Paulo, só pode me remeter para a construção do cenário da corrupção como uma obra também do FBI. Só assim podemos entender Sérgio Moro como a obra tardia do FBI. Em nome da razão e da lógica também apregoadas pela Marilena Chauí dos anos 1980.

Vivemos, pois, a maior conspiração de todos os tempos.

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