resenha - livro "Doutor Sono", Stephen King
Na época em que Doutor Sono foi publicado, as críticas não foram animadoras, então deixei o livro de lado. Agora, com o lançamento do filme em vista, resolvi lê-lo.
Danny se tornou Dan. A criança se tornou um alcoólatra, que encontrou o AA, construiu sua vida e entrou em paz com seu dom, trabalhando num asilo e auxiliando idosos na sua passagem.
_quando o discípulo está pronto o mestre aparece_
Abra Stone é uma adolescente 'iluminada', que desde bebê se comunica com Dan. Seu dom impressiona desde o berço, a narrativa deixa claro que é tão intenso quanto se possa imaginar.
_nós somos o Verdadeiro Nó_
Eles se parecem conosco. Vagueiam pelas estradas desde quando se podem lembrar, antes ciganos, agora em trailers. São quase imortais, e se alimentam de crianças 'iluminadas', torturando-as até a morte.
E descobriram Abra Stone, que precisará da ajuda de Dan Torrance para sobreviver.
A premissa parece boa pra você? Bem, se for o caso, sinto dizer: dois terços das 480 páginas do livro são um crescendo lento e morno, sem muita tensão. Eu amo Stephen King tanto quanto qualquer um só que, dessa vez, ele precisava de um editor que o colocasse na parede.
'O Iluminado' é uma obra importante para King, alcoólatra em recuperação, escritor e pai. A impressão que tenho desse livro é que retomar o material foi desconfortável, e que o autor retoma seu clássico com reverência demais.
_meu pai era seu pai_
Talvez, se King não precisasse voltar a Dan Torrence e as cinzas do Overlook, a história fluísse melhor. Talvez a história fluísse melhor se fosse uma ideia nova a ser potencializada... ou talvez o autor nem a tivesse levado a sério.
Só sei que, entrando na reta final do livro, quando finalmente a tensão havia engatado, descobrimos uma informação tão gratuita na história que o foco se dissipou e me peguei quase gritando: "é sério, King?" E, para mostrar que era, ele para a história e deixa seus personagens conversando sobre a informação.
_putinha._
_covarde._
'Doutor Sono' retoma o foco num diálogo telefônico entre Abra e Rose, a Cartola, líder do Verdadeiro Nó. Ali, de maneira pouco elegante, se delineia o confronto que conclui a história. Infelizmente, toda a moral que a história dá para Rose não se traduz na capacidade de fazer bons planos.
O confronto final entre Dan, Abra e o Verdadeiro Nó não destoa disso: os predadores geniais e experientes fazem más escolhas e não são um oponente digno. Já ouvi dizer que um bom vilão faz uma boa história o que, se nem sempre é verdade, tem aqui um excelente (mau) exemplo.
Enfim: Stephen King pega uma premissa que poderia dar num bom livro e faz escolhas que não sei se tímidas ou preguiçosas. Algum texto seria a bola fora de King e pra mim é esse, então não poderia recomendar a você essa leitura.
