REDES SOCIAIS: O indigesto convidado que nunca vai embora.

Eu brinco, toda vez que me perguntam, que os amigos que temos nas nossas redes sociais deveriam ser pessoas que gostaríamos de convidar para a sala da nossa casa. O uso das redes sociais há muito tempo deixou de ser entendido como “momento de lazer” e passou, apenas, a ser “momento”. Não é como se a pessoa tirasse um tempo para andar pelo Facebook como tira para ver um programa de TV: hoje nós usamos as redes sociais praticamente o tempo todo. Estamos lá e cá, lá e cá, existimos em dois lugares ao mesmo tempo.

O que não mudou, na verdade, foi a “etiqueta” sobre como gerenciamos essa nossa segunda existência. Vemos os comentários, as fotos e os estilos de vida de pessoas que conhecemos 10, 15, 20 anos atrás. Nós mudamos, os outros mudaram, muito provavelmente essas pessoas já não têm nada a ver com quem conhecemos anos atrás e, por consequência, já não têm nada a ver conosco.

Aposto, meu caro leitor, que muitas vezes você não reconhece ninguém quando vê uma foto em grupo no seu feed até ler por quem essa foto foi postada ou quem dos seus conhecidos foi marcado nela.

Meu ponto é: as redes sociais não nos incentivam a gerenciar as pessoas com quem temos contato. Na vida “real”, nos afastamos de pessoas que não queremos mais por perto: o “encontrão” do terceiro ano do ensino médio te dá um frio na espinha que eu sei! Mas por algum motivo que você não sabe explicar, todos do “terceirão” estão nas suas redes sociais. Você pegou 4 ou 5 pessoas desta época e trouxe consigo para a vida e são seus amigos até hoje, mas não fez o mesmo com o seu “eu” digital.

“Sai da minha casaaaaAAAAAAAAAAAAA!”

Como eu disse: você está nas redes sociais o tempo todo, nessa sua segunda existência, mas mesmo por lá você se presta a estar em contato com pessoas que não tem mais nada a ver com você. Você tem na sua lista um menino que te dava asco 15 anos atrás, uma menina que nunca trocou mais do que 10 palavras com você. Eventualmente, o tal do “Eduardo comentou isso” aparece no seu feed e você cai numa publicação que te coloca no mesmo contexto de 10 anos atrás: ele comentando qualquer atrocidade machista que, ADIVINHA SÓ, não tem nada a ver com você! “Carla foi marcada em uma foto”: Carla (que você não soube reconhecer pela foto, dada a irrelevância dela pra você) está em seu apartamento de cobertura em Miami com suas amigas (quem são essas meninas?) na piscina, agradecendo ao daddy pela oportunidade de conhecer “such caring people”. E você toma um soco na cara lembrando que precisa pagar a prestação da sua TV e não sabe de onde tirar dinheiro. Na sua sala, do seu lado, o tempo todo, estão pessoas que não te acrescentam nada.

Veja: meu problema não é com Eduardo ou com Carla. As pessoas seguem suas vidas. A questão é que as redes sociais não nos incentivam a editar essas pessoas das nossas listas de amizades da mesma forma que essa edição acontece na vida real. Guardamos um preciosismo muito grande com a nossa lista de amigos e, por consequência, deixamos pessoas com comportamentos tóxicos à nos ali na nossa sala de estar: um lugar que deveríamos ter apenas para pessoas próximas à nós.

Editar pessoas não é um problema: é apenas ter a maturidade de perceber que certas pessoas, certos comportamentos, hoje não dialogam com o seu ideal de vida e as coisas que você acredita. E isso não quer dizer de forma alguma que você deseja o mal pra qualquer uma destas pessoas. Apenas significa que o tempo passou.

E está tudo bem. Graças a Deus, tudo passa! ❤