Dislexia e preguiça

Diário de uma mente perturbada II

Minha dislexia foi diagnosticada quando eu tinha 12 anos, era muito leve, podendo até só ser considerada como um TDAH, ou popularmente conhecido: o DDA. No consultório: "desenha uma menina", "agora olha pro lado", "lê essas frases" e mais uns exercícios de atenção que hoje, quase 10 anos depois, eu não vou lembrar. Sai do médico com uma receita de Ritalina e um atestado para levar para escola, assim, eu poderia ter mais tempo para as provas.

Bom, problema resolvido? Não, obvio que não.

Primeiro que, ao chegar na escola e mostrar pros meus queridos professores do Gracinha, apenas UM levou meu atestado à sério. O resto reagiu com um discurso pronto: "isso aí é moda, no meu tempo ninguém tinha isso, vocês aparecem com esses atestados, pois a essa geração é preguiçosa tem tudo na mão, vocês não se esforçam para nada...", outros com discursos diretos: "Isso é besteira Luiza, você é inteligente, só é preguiçosa, não presta atenção na aula, está sempre desenhando, isso não vai te levar a nada, desenho é na aula de artes". Nessa última frase já da pra perceber que tipo de aluna que eu era. Minhas únicas notas altas eram nas aulas de artes e me lembro até hoje das trocas com meus colegas de trabalhos de artes por trabalhos de matemática (acho que eles faziam mesmo era por dó, uma vez que os trabalhos de artes nunca tinham tanta rigidez nas correções como os de matemática).

Segundo que a Ritalina, durou dos meus 12 aos meus 15 anos. Com 15 anos eu tive o meu primeiro ataque de pânico, desencadeado pela Ritalina, ansiedade e energético. Meu coração acelerava e, pra mim, minha morte era certa. Estava subindo a escada do meu quarto quando eu travei entre um degrau e outro. Eu não ia conseguir sair dali, meus pais tentavam me ajudar, me acalmar, mas de nada adiantava, depois de quase meia hora em silencio misturado com choro e agonia, eu sabia o que eu precisava. Eu queria a minha irmã. Eu não saí de lá até que a Julia chegasse. Ela chegou, eu me acalmei e durante todo o percurso de pânico até minha mente ficar estável, eu tinha uma certeza: era a Ritalina. Por que dessa certeza? Eu não sei, mas pra mim estava claro, parecia que eu recebia uma mensagem do meu inconsciente que era aquela química que estava me fazendo mal. E foi assim que tive que aprender a conviver com a minha dislexia, sem tratamentos e sem remédios. A questão do sem tratamento foi opção minha, mas para ser justa, eu tive muito acompanhamento, até eu me formar na escola não foram poucas as recuperações e aulas particulares pra que eu absorvesse as matérias.

2. Preguiça

A preguiça em questão é a que eu to sentindo agora, já que toda vez que eu escrevo me vem uma dor de cabeça e uma sensação de tontura. E sim, eu estou com preguiça de terminar esse texto.

Eu odeio preguiça, é chato e faz parte de mim.

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