Da efemeridade das coisas

(Usando texto do início do ano pra atualizar a página, essa sou eu)

E digo assim: o amor foi, sem sombra de dúvida, o fogo mais intenso que já presenciei, e a marca de queimadura mais dolorosa que já habitou a minha pele virgem. Pois é. Antes de tudo era o nada, e depois de tudo eu já não sabia mais o que era. Mas onde era eu sabia: Éden de ruína. Ele me desconstruiu lentamente enquanto eu calçava minhas botas para acompanhá-lo na jornada. Já não importava se a minha vontade de segui-lo era imensa, ele era um lobo solitário, e eu, acima de tudo, era só um gato vira-lata. Mas enquanto a perda não fazia sua morada em mim, eu imaginava. Pra cada construção de corpo arruinada, eu inventava. E dizia que antes ali era uma casa, que antes ali era um monumento, quando não era nada. No máximo um mausoléu. Ainda assim, o amor foi a brasa mais vívida e fascinante que pôde me hipnotizar. E no fim o que restou mesmo foi pó. Aliás, que diz mesmo a Bíblia? “E ao pó retornarás.” E ao pó retornei, sem mais.