Eu acho que eu sufoco as pessoas. O tempo todo. E eu acho que estou começando a me sufocar por pensar tanto nisso. Esse é o problema de ser tão intensa; Se eu sofro, eu fico em carne viva. Se eu me sinto feliz, eu irradio. Se eu gosto, eu amo. É cansativo. Engraçado né? Cansar de ser você mesmo e não poder fazer nada sobre, afinal, como é que se foge de quem se é? E antes fosse só isso. Eu também tinha que ser absurdamente insegura com tudo o que eu faço. Eu também tinha que ter baixa autoestima. Eu também tinha que ser extremamente aberta pro mundo. Como é que mistura tudo isso numa pessoa só, Deus? Como é que eu lido com isso? Não sei ficar calada, não sei falar baixo, não sei ser discreta, não sei não me ofender com pequenas coisas, não sei conversar olhando no olho, não sei… Acho que eu tenho tanto medo de não ser aceita, de ficar sozinha, que eu acabo me desdobrando em mil pedaços pra agradar todo mundo. Eu acabo me importando com o que dizem e desdizem de mim.

Eu queria ter um botão de desligar. Um modo soneca de mim mesma. Onde eu simplesmente paro de sentir tudo por um tempo e faço as coisas no automático. Onde eu paro de pensar como as pessoas me veem todos os dias. Onde eu paro de achar problemas em tudo o que eu faço, digo, penso, sou. Fico imaginando que por trás de todo elogio que eu faço, existe um “me enxerga também”. Por trás de cada abraço que eu dou, tem um “cuida de mim, por favor”. Não sou uma pessoa nada difícil de se lidar; Qualquer atenção e reconhecimento automaticamente me desarmam e me fazem desmanchar. Acho que eu já estou tão puída que agradeço quando alguém me tira do guarda-roupa e me leva pra dar uma voltinha. Acho que já me conformei tanto com a vida que aprendi a ser feliz com a felicidade dos outros em vez de buscar a minha própria. Acho que eu tento sempre ser uma estrela, mas acabo sendo um cometa.

Ser estrela, ter luz própria, ser memorável, presente, quente… Ser cometa, ser passageiro, ser sozinho, frio. Começo a pensar que tudo o que acho que sou na verdade é quem eu queria ser. Começo a sentir a solidão chegando, pouco a pouco. Eu abro a porta, faço sala, sirvo um cafézinho e ela vai ficando, vai ficando, vai ficando. E eu vou sumindo cada vez mais, dentro de mim mesma. Afundando em todos esses pensamentos que escaparam da porta trancada no fundo da minha cabeça, sendo ameaçada pelos meus próprios monstros. Falta muito para chegar naquela parte do filme em que aparece alguém que salva os inocentes e coloca tudo no lugar? E como faz quando o protagonista percebe que é inocente, herói e vilão ao mesmo tempo? O herói mata o vilão e salva o inocente. O herói mata a si mesmo e leva junto o vilão e o inocente. O herói vive junto com o vilão e o inocente. O herói protege o inocente do vilão. Esse filme já mais de vinte anos e no momento os três brigam e eu assisto. Assisto e sinto tudo pegar fogo dentro de mim. Com essa crise de água talvez demore pra eu conseguir me apagar. Me desapegar. Me aceitar.

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