Eu me prendo nos detalhes.

No sorrisinho repuxado que você dá, de olhos fechados, quando te faço cafuné antes de dormir. No olho-no-olho assim que acordamos, sem vergonha, sem pudor. Nos murmúrios de “pode ficar aqui” quando afasto meu corpo do seu na madrugada. No cuidado silencioso e tímido que um “dormiu bem?” esconde. No calor da mão na pele nua embaixo da camisa, sem nenhuma autorização necessária. No carinho dos dedos que percorrem a espinha, fingindo inocência. Na intensidade do beijo que expõe o desejo e na calmaria, quase que agradecida, do corpo logo depois.

Falar, ler e escrever sobre gostar é muito simples. Claro. Fácil. Concreto. Dá uma certeza, por mais miúda que seja, que aplaca o medo de se colocar nas mãos de alguém. Porém gostar em silêncio é uma tortura gostosa; frustrante pois inconstante, surpreendente pois complacente. A inquietude é sanada aos pouquinhos, com direito a suspiro de alívio, que nem beijo no machucado. Gosta com o abraço, com o olhar, com os lábios, com a ponta dos dedos, na calada da noite, no raiar no dia. Nada e tudo é dito. Isso basta.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.