Quando o mundo pare um poeta

Quando um poeta é dado à luz, o mundo se contorce. O mundo se estanca momentaneamente, o mundo se engole. O universo, ao ver nascer um poeta, se entrega ao peso de seu corpo e rebenta em caos e estrelas.

Em seu primeiro chorar, o poeta se pinta como tela e se inaugura como louco: veste sua alma com a sensibilidade que será seu ganha-pão. Ao ver sua mãe e sugar dela o leite, o poeta se mune nos primeiros instantes de vida da intensidade dolorida de sua progenitora e faz dela um copo até aqui de medo.

O poeta já vem à vida ressentido (pelo mundo), inchado (de perdas) e com fome (do mundo e de suas perdas). A partir de então, ele não só vai erguer pesos universais como também os vai transformar em palavra. Dia após dia.

Ao final, o poeta não passa de um louco algemado por seu ofício, esse tão belo ofício de conduzir por encantamento aqueles que já haviam se esquecido sobre a beleza dos dias.

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