Quanto de preconceito tem no seu “gosto”?

Tenho pensado muito sobre isso e toda vez que olho para algo/alguém e na minha cabeça vem um “que feio”, me pergunto: “é? porque?”

O quanto desse “feio” está permeado inconscientemente de uma cultura racista, machista, homofóbica, transfóbica, gordofóbica, elitista e tantas outras estruturas que condeno em meu discurso, no meu dia a dia. Me envergonho das minhas próprias respostas internas e, no questionamento, tento mudar meus padrões de percepção desse mundo. Não é fácil não.

Mas para mim não faz sentido nenhum condenar o racismo, mas não ficar com negro porque “não gosta” ou chamar cabelo crespo de “ruim”. Não faz sentido falar contra os padrões de beleza, mas dizer que mina gorda é desleixada e mal cuidada. Ou defender seu direito de estar acima do peso, mas achar que todo homem tem que ter barriga de tanquinho. Não faz sentido falar contra o machismo e a homofobia, mas dizer que o cara magrinho e sensível “não é homem de verdade”. Não faz sentido falar sobre igualdade social e dizer que funk “não é música”.

É claro que existe preferências… Mas se elas são sempre iguais a do senso comum, e contra o oprimido da história, talvez não sejam só preferências e sim uma construção social que você (e eu) só estamos reproduzindo. 
Acredito que é também de dentro que a gente constrói um mundo melhor para todo mundo.

Para ajudar a pensar sobre: 
Não Sou Exposição, Canal das Bee, Afros e Afins — Por Nátaly Neri e se você tem outra sugestão de página / canal / pessoa / site que ajude nessa descontrução, comente aqui embaixo.

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