Precisamos falar sobre artistas mulheres: Natalia Goncharova

(Matéria para o Jornal do Comércio do Ceará, agosto de 2016)

Não podemos contestar o fato de que Pablo Picasso é um gênio da pintura. Aliás, se fizéssemos um passeio pela História da Arte ficaria evidente a influência de Picasso na radicalização do processo criativo ao estudar a forma para desconstruí-la no cubismo. Na década em que o pintor se entregava a fase azul e tons terrosos, havia uma pintora chamada Natalia Goncharova, que estremecia a escola russa com a tendência do cubo-futurista. A pintora apropriava-se de aspectos primitivos da arte popular de seu país e retratava o proletariado em cenas comuns de trabalho no campo. Existem semelhanças entre Natalia Goncharova e Pablo Picasso, mas o nome dela é silenciado.

A pintora russa e o seu companheiro, Mikhail Larionov, nos deixaram uma importante contribuição ao desenvolverem a técnica de Raionismo, um tipo de arte abstrata, a partir da interseção de raios refletidos de múltiplos objetos e formas. Os artistas buscavam a essência da pintura através da combinação de cores, saturação, relação das massas de cor, profundidade e textura.

Então, se uma artista como Goncharova participa do Salão de Outono de Paris (1906), como poderiam não citar seu nome repetidas vezes na sala de aula? E por que será que não conseguimos completar com os dedos da mão as artistas mulheres que emplacaram no mercado e modificaram completamente a história internacional da arte?

Se não podemos mais negar a importância do papel da mulher na arte, estética, ciência, geografia ou política, construir a imagem é, antes de tudo, aguçar a percepção de quem a constrói. É nesse espaço vago entre tempo e espaço, de quem escreve e lê, que iremos refletir a qualidade da pintura, e não o ato de silenciá-la do mundo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.